Renato Caldas

Renato Caldas

Publicado em 17/01/2012 19h18
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Quando os pais envelhecem

Na modernidade de hoje, onde as informações da mídia muitas vezes apontam para caminhos dúbios, ocorre uma influência não só para os adultos, mas também principalmente para os jovens.

Se somarmos a isto que a maioria dos jovens pouco lê para ter uma cultura de separação do joio do trigo, pois não têm também uma cultura religiosa e juntam-se a companheiros de pouca referência de formação, concluímos como é difícil o comportamento de muitos jovens para com os pais.

Na realidade eles chegam á nossa vida com promessas de amor incondicional. Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos. E retribuem com gestos que enternecem.

Mas os anos passam e os filhos crescem. Escolhem seus próprios caminhos, parceiros e profissões. Muitas vezes não é aquilo que os pais orientam ou desejam de melhor para os filhos.

Trilham novos rumos, afastam-se da matriz. O tempo se encarrega da formação de novas famílias. Os netos nascem. Muitas vezes, as novas famílias não são constituídas por componentes que desejávamos, seja genros ou noras, que modificam completamente o que sonhávamos em termos de relacionamento,convivência familiar,amizade , respeito e progressão profissional.

Envelhecemos!

E então algo começa a mudar.

O ninho vazio já se torna um diferencial no dia a dia dos pais, acostumados com a presença constante dos filhos, com a reocupação com os mesmos, e aí, muitas vezes começa a depressão dos pais,razão desta mudança brusca e radical em termos de família.

Muitos filhos já não têm pelos pais aquela atenção, carinho e sentimentos. Parece que agora só os ouvem para fazerem críticas,reclamarem e apontarem-lhes falhas.

Já não brilha nos olhos deles aquela admiração da infância. E isso é uma dor imensa para os pais.
Apenas passaram-se alguns anos e parece que foram esquecidos, os cuidados e a sabedoria que antes era referência para tudo na vida.

Aos poucos, a atitude de alguns filhos se torna mais impertinente. Praticamente não ouvem mais conselhos.

A cada dia demonstram menos paciência. Acham que os pais tem opiniões superadas, antigas, estão fora de moda.

Pior é quando implicam com as manias, os hábitos antigos, o velho gosto musical.

E tentam fazer os velhos pais adaptarem-se aos novos tempos, aos novos costumes. Quanto mais envelhecem os pais, mais os filhos assumem o controle.

Quando eles já estão bem idosos, já não decidem o que querem fazer ou o que desejam comer e beber.

Raramente são ouvidos quando tentam fazer algo diferente .Passeios, comida , roupas, médicos,tudo passa a ser decidido pelos filhos.

E, no entanto, os pais estão apenas idosos. Mas continuam em plena posse da mente. Por que não respeitá-los? Porque não aceitá-los?

Por que tratá-los como se fossem inúteis ou crianças sem discernimento?

E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, há tanto amor.

Naquelas mãos trêmulas ,há sempre um gesto que abençoa e acaricia.

E na realidade, a cada dia que nasce, precisamos nos lembrar, está mais perto o dia da separação.

Um dia, o velho pai já não estará aqui. O cheiro familiar da mãe estará ausente.

Precisamos valorizar o tempo de agora com os pais idosos.

Paciência com eles quando se recusam a tomar remédios, quando falam Interminavelmente sobre doenças , quando se queixam de tudo.

Abrace-os apenas, enxugue as lágrimas deles, ouça as histórias, mesmo que sejam repetidas, e dê-lhes atenção, afeto ...
Acredite: Dentro daquele velho coração brotarão todas as flores da esperança e da alegria, que é um jardim de sabedoria.




Renato Caldas Lins
Professor e Escritor
Lins.rc@hotmail.com




















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