Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga

Juiz de Direito, Escritor, grande admirador das obras de Luiz Gonzaga, nascido na cidade de Pombal (PB), mora e exerce o cargo de Juiz de Direito atualmente na capital João Pessoa.

Publicado em 02/02/2019 21h03
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A lama assassina

A cada aurora o sol acordava a mata, seus passarinhos logo saíam em revoada e como poetas divinos lançavam no ar a sinfonia do amanhecer sublime. Das águas do Paraobeba pescadores deslizavam suas canoas em busca de peixes e sonhos. A beleza harmônica e formosa das serras, vales, matas e rios faziam nativos, trabalhadores e turistas respirar a tranquilidade da natureza.

Mas o homem com sua nefasta ganância não se importou com o exemplo do rompimento da barragem em Mariana, no ano de 2015, continuou o mesmo proceder, buscando a exploração de minérios sem observância de regras mínimas de engenharia a fim de resguardar a segurança do meio ambiente e das pessoas. Numa exploração sem limite, com ausência de adequação necessária prosseguiu utilizando barragens do mesmo porte para acumular rejetos minerais.

Assim foi construindo em Brumadinho seu novo monstro, que resolveu acordar vomitando toda sua tóxica lama. Sem piedade, ela devorou a barragem e, após rompê-la, desceu varrendo tudo que havia pela frente.Primeiro, a sede administrativa da Vale do Rio Doce, que inexplicavelmente, havia sido construída em área abaixo da barragem. E lá foi a lama engolindo as águas do rio, lavouras, pousadas, ranchos, peixes, vacas, galinhas, homens e mulheres. A barrenta e assassina lama aniquilou famílias e sonhos de mais de 300 pessoas.

A ganância do homem não viu que o maior minério era a preservação da sua própria espécie e convívio harmônico com a natureza. A lama tem como toxina não só rejeitos minerais, mas o cinismo, os males do crime organizado e a corrupção que destrói tudo. Quantos anos ainda para que o homem mude?Não sei. Deus nos ilumine e sobre a terra o homem possa viver em sintoniacom a Santa Natureza, para assim, voltarmos a Minas para sentir o calor da mata, ouvir o canto dos pássaros e adormecer sob o charme da Lua.

Onaldo Queiroga


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