Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

Publicado em 21/05/2018 13h49
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Casarão Tangará

Escrever sobre casarões, muitos persistindo pelas cidades mais à antiga do Brasil, deixa os historiadores envolverem-se pelo sentimentalismo, numa volta ao passado. Sólidas edificações que remetem aos famosos barões dos ciclos do ouro, do café e da borracha; ao fastígio de fazendeiros e famílias mais abastadas, pelo uso fácil da terra e desenvolvimento da pecuária.  São elas testemunhas oculares de uma história, que o presente teima apagá-la ou, simplesmente a ignora.


O esforço dos órgãos protetores, os Institutos Histórico Nacional e estaduais, e dos Conselhos Municipais, são impotentes para conterem a sanha predadora do falso empreendorismo, da modernidade tecnológica e da mudança de hábitos, forçando as populações renegarem-se à convivência com a que ironicamente chamam “selva de pedras”. Ainda assim sobram conscientes administradores, de bastante cultura, para tentarem a sobrevivência, por mais algum tempo, desses “seres” inanimados, cujas imagens, por si só, falam de centenárias épocas, os quais nos prodigalizam altos figurões da sociedade local, de antanho.


Pitangui, vetusta urbe, encravada no centro-oeste mineiro, fundada em 1715, é berço do padre Belchior Pinheiro, conselheiro de Pedro I, que ali se encontra sepultado.  Hoje sede de município, outrora considerada uma das Sete Vilas do Ouro de Minas Gerais, e que fez gerar cerca de 40 outras prósperas comunas, a exemplo de Divinópolis. Para lá, em 1794 mudou-se, definitivamente, Maria Felisberta (Tangará) da Silva Alvarenga. Tal apelido origina-se de sua mãe, uma índia.


Na nova terra foi morar com seu marido, sargento-mor Ignacio Joaquim da Cunha, dele procriando nove filhos, num casarão por este construído, daí em diante se tornando famosa, como rica fazendeira, sobretudo. Possuidora de personalidade muito forte, costumava aplicar crueldades em suas escravas,  o menor sinal de ciúme. Diz-nos a resenha histórica que numa cisterna, perto à grande mansão, há restos mortais de sessenta vítimas desses atos tiranos.


Situada ao centro da cidade, ele se manteve fechado chegando por vários anos, sem que a família, por falta de condições financeiras, pudesse evitar as ruínas do telhado e das próprias paredes. Todavia, numa sensibilidade à cultura, o governo municipal, num acordo com os familiares de Tangará, conseguiu reaver o imóvel. Restaurando-o por completo, o prefeito Marcílio Valadares transformá-lo-á em sede da Sec.  da Cultura e da Biblioteca Pública, em breve inauguradas. Iniciativa essa que cabe a colegas seus, diante de semelhante situação, segui-la, e de nossa parte elogiá-la.

Jornalista   / inocnf@gmail.com


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