Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

Publicado em 23/03/2017 12h54
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

Revolução hídrica

Duas liberdades em jogo: a política e o direito à água; uma, restringida pelo homem, a outra, pela natureza. Ano de 1817 quando, do Recife, Domingos José Martins faz liderar um movimento civil-militar, destinado tornar livre nossa gente. Logo se espalha pelos solos nordestinos: pernambucano, paraibano, potiguar e cearense, sendo rapidamente sufocada. Na mesma época nascia o primeiro projeto de transposição das águas do S. Francisco, concebido por José Raimundo do Paço de Porbém Barbosa, Ouvidor da Comarca do Crato-CE, a fim de beneficiar esse mesmo território. Ambos, de caráter republicano e iluminista, porque buscavam o bem-estar do povo. O segundo, não teve a velocidade do fim, porém também travou batalhas políticas, ante acomodação de governos nacionais.  Há, sim, conexão entre elas. Pedro II ensaiou nova proposta, para ressurgir, com mais vigor, na gestão do pres. Afonso Pena, nas suas ações de combate aos efeitos da seca. Doravante, nada além senão a produção de falácias opositoras, interesses escusos e indiferenças de políticos, do tipo ACM e seus aliados e FHC.


As franciscanas águas aos poucos chegam à Paraíba e, em breve, ao Ceará e R. Grande do Norte, graças à sensibilidade e determinação dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, trazendo junto a Revolução Hídrica Redentora.  Ela promete transformar parte do semiárido nordestino numa autossuficiência hídrica, com as vantagens, embora limitadas, econômicas e sociais dela decorrentes. Negativas, apenas, para os hábitos eleitoreiros, com a gradativa supressão dos carros-pipa, acompanhada de sua distribuição seletiva. O ressequido chão não se tornará oásis, nem as plantas rasteiras e xerófilas se erguerão em maior altura, entretanto, o sofredor homem da região não mais verá, desolado, as nuvens tão somente passarem. Descobrirá nova forma de convívio com as estiagens. Manterá os burricos como heróis, exibirá as ancoretas e as cuias como taças. Com certeza S.  Francisco abocanhará, um pouco, o prestígio de S. José. Em Minas Gerais o santo é igualmente forte, Nª Sª da Piedade, a venerada padroeira do Estado. Dividirá suas atenções para as chuvas do centro-oeste das alterosas. Sentir-se-á mais amineirado como nunca! Irmandade estreitada no episódio de 1930. Exagero dizermos da redenção plena do Nordeste, mas sua economia dará um salto significativo e sua população alcançará qualidade de vida bem melhor. Poderá mudar sua própria cultura, reforçando sua alto-estima.


Referências se fez à conclusão da gigantesca obra, porém um obrigado sequer às municipalidades, num gesto de gratidão, de onde provém o precioso líquido. Lamentável falta de seus inauguradores. Aceitem repará-las, em nome de meu torrão natal, Soledade-PB, uma das 360 cidades beneficiárias, perante o principal município gerador, S. Roque de Minas, sem dúvida natural partícipe desse histórico empreendimento, onde está a Serra da Canastra.
Jornalista
inocnf@gmail.com

 


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

> LISTAGEM DE ARTIGOS


Exibindo 1-15 de 18 resultado(s).