Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

Publicado em 12/09/2018 09h56
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DIRETAS, NÃO!

A campanha das diretas soma-se à Assembleia Constituinte e à Anistia Geral e Irrestrita, empolgando a Nação, as quais em parte vitoriosas permitiram compatriotas retornassem ao Brasil e outro tanto deixasse os cárceres, onde se submetiam a horríveis sessões de tortura.  Sonhos que hoje correm o risco de desmoronamento, especialmente a Constituição, vilipendiada por uma casta incrustada na Justiça, que  ora prega e administra a inversão das leis e a ordem do estado de direito.


Coube à cidade Abreu e Lima, do grande Recife, em março de 1983, sediar o ato inaugural, melindrosamente organizado pelas oposições unidas contrárias ao regime ditatorial vigente, pelo direito de elegerem, livremente, seu Presidente da República.  Tornar-se-ia, em pouco tempo, um gigantesco movimento, no qual se incluíam outras pretensões democráticas. Em novembro, do mesmo ano, a Praça Charles Miller, próxima ao estádio do Pacaembu, S. Paulo, recebe 10 mil pessoas.

O então senador Eduardo Suplicy, um dos políticos presentes, constatou o entusiasmo de seus participantes. A partir daí, não apenas comícios, reunindo até 300 mil cidadãos, mas passeatas e outros tipos de manifestação alastraram-se, rapidamente, pelos rincões brasileiros. Eu, pessoalmente, assisti a um deles, na orla do Parque Solon de Lucena, centro de João Pessoa, a ouvir o discurso de José Sarney e de outras representações partidárias, defendendo a causa comum.  Ainda na Paraíba, na minha pequenina cidade de Soledade, conseguimos trazer, à área aberta, o apoio da Câmara Municipal, diante de surpresa população, desejosa de engajar-se nessa luta.


Não obstante as lideranças democráticas, Tancredo, FHC, Montoro, Brizola, Lula, Ulysses e outros, e o clima favorável em todo o Brasil, a Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada, em 1984. Conquistamo-lo, evidentemente, anos depois, por meio da letra constitucional. Se as esperanças dessa liberdade foram barradas pelos congressistas já não são eles, agora.  A restrição, imposta à participação  convencional popular, ou de um meio eletrônico,  de escolher nomes de seus futuros postulantes a cargos eletivos, posteriormente referendados nas urnas, num novo processo que deprime a vontade do povo, ela vem de setores da toga, ligados a interesses sabiamente externos.

Nestas eleições presidenciais há esse claro propósito, tolher a plenitude da soberania, cerceando seu voto, tornando-o coercitivo, em candidato de sua preferência.  Isso é inaceitável. Um processo eleitoral ilegítimo e fraudulento, desde 1988, que o TSE/STF promovem e alimentam. Enquanto lamentamos a conquista que se perde, dos Tribunais os senhores das indiretas  bradam e brindam: “Diretas, Não!”.
Jornalista
inocnf@gmail.com


 


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