Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

Publicado em 26/08/2017 10h11
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Lições de Peregrino

Ficou-nos o exemplo do “Tiradentes da Paraíba”, morto aos 19 anos de idade

No próximo 6/09, historicamente se encerrarão as  homenagens pelo bicentenário da Revolução de 1817, no nordeste, em favor da nossa Independência. Nessa data encerrou-se o calendário macabro, estabelecido pelo Tribunal de Alçada, ao levar à forca, no Recife, os últimos sentenciados, Pe. Antonio Pereira e Ignacio Leopoldo de Albuquerque. Dos 13 condenados, Abreu e Lima (padre Roma), havia sido fuzilado,  a 29/03, na Bahia.


Movimento, de características republicanas, não sensibilizando setores da cultura, hoje, para o justo registro.  Em vão tentativa de sessão especial com esse fim, na Assembleia Legislativa da Paraíba, através de um deputado, onde mantive laços funcionais. O assunto não dizia respeito à política e nem às massas, por isso a sugestão deixou de ser agendada. Não homenageamos, na Casa do Povo, esses heróis, na pessoa do mártir, José Peregrino Xavier de Carvalho.


Dia 21 de Agosto de 1817, Campo do Erário, Recife, ao lado de Amaro Coutinho e o mineiro Francisco da Silveira, subiram ao patíbulo. Os dois primeiros paraibanos, mas o Alferes Peregrino de Carvalho teve participações heroicas na sua trajetória de luta.  No Rio G. do Norte chegou a instalar um Governo Revolucionário. Voltando ao seu estado, entretanto, nada mais restaria a fazer, pela vitória do movimento. A vindita portuguesa já estava instalada, com o esquema de repressão em vigor. O vice-almirante Rodrigo Lobo preparou a retomada de Pernambuco.


Seus membros nos retransmitiram lições de patriotismo, nunca assimiladas.  Peregrino, em particular, teve passagens comoventes. Veja parte desse diálogo com seu pai, dr. Augusto Xavier de Carvalho, o qual contradiz aos nossos tempos.  Então, disse-lhe o pai: “Filho, depõe estas armas, aqui  já não há Pátria! A Pátria é o Rei, só ele pode nos dirigir!
 

- Senhor! Interpela-o Peregrino: “é possível que com a experiência dos anos não tenhais adquirido o conhecimento dos homens! Por qual motivo vos deixastes seduzir! Como podeis acreditar nas promessas dos monstros, que acabam de postergar as mais sacrossantas leis da natureza! Como não reconheceis que o maior perigo do vosso filho consiste, tão só, depor as armas, que a Pátria lhe confiou e que ora reclame que as maneje em seu socorro!”


É verdade que J. Peregrino se apiedou, recolhendo-se, cabisbaixo, já sem forças, aos escombros da Fortaleza de Cabedelo.  Pintura, em tela, no Palácio do Governo, retrata o episódio.  Executado, seu corpo retorna a cidade da Parahyba (João Pessoa), onde nasceu, amarrado a uma cauda de cavalo, mutilando-se no horripilante percurso. Ficou-nos o exemplo do “Tiradentes da Paraíba”, morto aos 19 anos de idade.


inocnf@gmail.com 

 
 


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