J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

Publicado em 07/11/2018 15h20
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Síndrome do Fogo de Palha

Desde pequeno eu ouvia falar na expressão ‘fogo de palha’ que serve para qualificar qualquer coisa que surge grande demais, mas que vai embora na mesma velocidade que chegou.
Talvez a nossa geração esteja sofrendo exatamente disto: da Síndrome do Fogo de Palha. É que a gente tem vivido de muita intensidade, mas tem esquecido da continuidade.
O jovem se encanta com uma ideia, se esbalda em algum sentimento, abraça com todas as forças uma causa, para logo depois ir perdendo o encanto e, por fim, entregar de graça o que antes comprara a peso de ouro.


É o curso superior que, de repente, perdeu a graça ou ficou difícil demais; o projeto de vida que iria trazer a felicidade que vai caindo no esquecimento; a academia de ginástica ou a caminhada diária que nem são mais tão necessárias assim para manter a forma física e a saúde.


Perdemos o conceito do ‘para sempre’; não mantemos a linearidade, mudamos de opinião, gostos e costumes mais rápido do que precisamos. Somos da turma do ‘não se apega’ a nada, nem aos bons valores. Não produzimos mais músicas para atravessarem décadas, a cada três meses surge um mega-artista que desaparece sorrateiramente no triênio seguinte.


Mas nada é mais notório e sofrível neste contexto do que os relacionamentos entre casais. É cada dia mais difícil manter a continuidade, prolongar a intensidade da paixão inicial. Porque todo começo é fantástico, as pessoas estão se descobrindo, até as manias mais chatas são ‘engaçadas’, há sorrisos em tudo, e é bem mais fácil pensar no ‘pra sempre’ naquele momento. Portanto, os dias vão passando, as pessoas vão se acostumando – no pior significado da palavra – com o outro, e deixam a rotina e o tédio darem fim ao sentimento que nasceu tão bonito.


As cinzas do fogo da palha são frustrantes, porque nem a gente mesmo consegue dar uma satisfação lógica para o fracasso, porque é difícil admitir que não tínhamos conteúdo suficiente para prolongar nossas ações e amores. Crescemos pulando etapas, a mídia nos impôs isto. Abandonamos a infância antes do tempo, passamos a ser adultos mesmo com dez ou doze anos.


Transformamos-nos em irresponsáveis e relapsos em quase tudo que assumimos. E junto com a história que não deu certo vão embora também a nossa coragem e auto-estima. E vamos crescendo como uma geração de frustrados que usam máscaras de sucesso para disfarçarem a sua incapacidade de se apegarem totalmente a uma causa, a uma cultura e, principalmente, a um amor.


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