J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

Publicado em 21/06/2018 11h34
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

Sequestaram o meu São João

Levaram embora o meu São João, junto a toda inocência, simplicidade e significado que ele tinha. Tiraram a santidade da sua festa.

Cadê a fogueira? Onde está o povo que ficava ao redor dela? Levaram pra cidade grande, inventaram uma festa barulhenta e disseram que é São João também.

O milho que a gente plantava ou que o compadre nos dava, hoje está caro demais pra gente fazer a comida pra meninada. Porque o compadre deixou de plantar, esqueceu a satisfação que a terra dá.

A quadrilha deixou de ser matuta. Antes era só pra se divertir, hoje o povo briga por elas. O vestido de ‘chita’ não é mais bonito pra essa gente e a quadrilha de hoje só tem o nome do que foi antigamente, porque a felicidade daquele tempo se foi junto com a simplicidade.
Inventaram muita coisa pra gente ser feliz, mas ter pouca posse hoje é não ter direito de sorrir e comemorar as festas que criaram. O matuto de hoje fica encabulado e rebaixado perto do povo rico.

Trocaram o Gonzagão por um tal de Safadão. Esconderam a zabumba, jogaram longe o triângulo e deixaram a sanfona, maestra do nosso forró, escondidinha e quase calada perto de um monte de instrumento que ainda não teve o gosto de tocar forró de verdade. Derrubaram a Asa Branca, a Paraíba Masculina perdeu a sensibilidade que tinha, o Assum Preto não voa mais e a Súplica, que não é Cearense, é pra deuses que não fazem milagres. Luiz cantava o amor e a alegria verdadeira da vida; Wesley canta o desprezo e a ostentação.

Derrubaram a palhoça e construíram um palco pra servir de altar pro cantor que lá está.

Acabou-se o chamego, hoje o nome é sacanagem. No raiar do dia não vemos mais o pó da madeira em forma de cinza, muita gente cheira o pó que nos transforma em cinza.

Antes a gente chorava com a fumaça da fogueira, hoje choro de saudade desses tempos que não voltam mais.

 


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

> LISTAGEM DE ARTIGOS