J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

Publicado em 26/03/2018 11h00
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O direito que eu não tenho

Nós criamos uma guerra. Tudo por que as pessoas confundiram o seu direito de expressão pelo direito de agressão ao outro, e este direito não existe. Vivemos tempos em que as pessoas não conseguem dar as mãos porque estão ocupadas demais com escudos para se defenderem, ou espadas para atacarem.


Basta olharmos o quando nos tornamos intolerantes, reis da razão, senhores da vida dos outros. Entre nas redes sociais e verá a guerra declarada de ‘petistas x coxinhas’, ‘lulistas x bolsonaro’, ‘feministas x machistas’, ‘heterossexuais x LGBT’, ‘ricos x pobres’, ‘católicos x protestantes’, ‘cristãos x ateus’ e assim por diante. Estádios de futebol cheios são sinônimo de brigas e mortes nos seus arredores. Movimentos sociais nas ruas são muitas vezes acompanhados de arruaças e agressões físicas das duas partes. Campanha eleitoral é certeza de intriga, falcatrua, ataques pessoais.


Talvez seja esse o grande problema da humanidade, especificamente do Brasil: nós criamos uma guerra contra nós mesmos. Em vez de lutarmos para que o país cresça, preferimos lutar para que nossa opinião prevaleça. Falamos o mesmo idioma, mas não compreendemos o que os outros querem dizer.


Lendo a constituição, a história ou os livros das grandes religiões, percebemos que não há nada mais eficaz do que o diálogo para alcançar o consenso e o convívio pacífico.
Num passado bem recente, o grande grito dos ‘excluídos’ e minorias era para que tivessem voz e vez na sociedade, para que fossem vistos, pudessem expressar suas ideologias e seus valores.


Felizmente, aos poucos, as barreiras do preconceito e das desigualdades foram sendo amenizadas. Se não isso, pelo menos os oprimidos foram deixando de ser invisíveis. O problema é que os oprimidos não queriam apenas ser reconhecidos; preferiram ir além e quiseram sair da posição de oprimidos para a de opressores. Inimigos de qualquer um que pareça diferente deles. Eles não queriam a paz, mas sim a revanche.


A sociedade se fragmentou e foi fragilizada por isso. Enquanto isso, vão caindo por terra a moral, a ética, os bons costumes e os valores do nosso povo. Cada um por si e por seu gueto, um grupinho de pessoas que, se não tem o mesmo ideal, pelo menos tem antipatia ou ódio em comum por outro segmento.


Não é porque você é ativista LGBT que precisa fazer protesto imoral com os objetos sagrados da religião católica ou de outra religião. Não é porque você é católico que terá o direito de agredir o umbandista. O fato de votar em Bolsonaro, Ciro Gomes ou no Papa-léguas não te assegura a faculdade de chamar qualquer petista de ladrão, agredi-lo e julgá-lo sem provas.


Nós perdemos a briga para nosso egoísmo e incapacidade de amar a Pátria. Esquecemos os ensinamentos dos grandes pacifistas, assim como Nelson Mandela que, após anos preso, se tornou o maior líder do país, mas não permitiu que acontecesse o revide ou qualquer agressão aos antigos agressores.


Mamãe sempre me ensinou que eu começo a perder a discussão quando aumento o tom de voz para agredir o outro ou uso das mesmas estratégias violentas do inimigo para derrotá-lo.


Somos mais do que esse monte de cabeças e corpos que se dividiram em equipes que só sabem se digladiarem. Somos um povo forte, mas talvez não tenhamos tempo de provar isso para o mundo, pois estamos muito ocupados tentando fazer o contrário.


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