Des. José Di Lorenzo Serpa

Des. José Di Lorenzo Serpa

> ARTIGO

Publicado em 24/02/2014 15h19
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

A mãe, o filho. o avô e a neta

  Maximo Gorki, ao escrever o romance A Mãe (1907), narra a saga de Peláguea Nilovna, que, após a morte do marido Mikhail Vlassov, fica ao lado do único filho, Pavel, que, nos bairros de Moscou, se constitui numa liderança operária, tendo sua mãe, ao descobrir a participação dele, vindo a acompanhá-lo passo a passo.   

  Faço estas considerações porque no Dia das Mães minha neta Ana Beatriz (Bibia) me perguntou pela minha mãe, no caso, sua avó, que ela não conheceu.

  Respondi que tinha ela uma alma bondosa e nome Francisquinha, conhecida por Quinha, e que me ensinou o Sinal da Cruz e a Ave Maria.

  Lembro-me que ela, de chinelos macios, deslizava da cozinha para o terraço, ora entoando canções antigas, ora rezando os Mistérios do Terço em família.

  Por não saber me expressar melhor, cito versos que aprendi no Ginásio, cujo autor não recordo:
  
“Minha mãe
   Era  bonita
   Era toda minha dita
   Era todo meu amor.”

  Lembro-me bem das histórias que ela contava, com os filhos ao redor ouvindo-a atentamente, sendo que uma das histórias dizia o seguinte:

  “Um português aportou no Brasil, no interior, numa fazenda. O patrão lhe mandou comprar algo na feira e lá viu uma fruta e perguntando que fruta era, lhe responderam que era manga e comprou uma manga.

  Depois, noutra barraca, viu um objeto de vidro e lhe disseram que era uma manga de candeeiro e, ao acendê-lo, lhe disseram:
 
          - Cuidado para não queimar a manga da camisa.
 
  O português, ao voltar para a fazenda, ouviu do patrão:

  - Coloque os cavalos na manga, no pátio.
 
  Ao entrar na casa, o antigo rádio Philips, transmitindo uma partida de futebol, o locutor gritava:

  - Preparou, correu, chutou, defeeeeeeeeeendeu  Manga!

  O português, intrigado, perguntou:

  - Tudo aqui é manga?
 
  O patrão respondeu:
 
  - Fale baixo, senão o povo manga de você. Ahh....Ahh...Ahh.”

  E a gente ria que ria. Como eram bonitas a minha mãe e as histórias que ela contava!    
                
                                
   José Di Lorenzo Serpa
         Desembargador            
 


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

Bookmark and Share