Carlos André Cavalcanti

Carlos André Cavalcanti

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Publicado em 01/04/2014 11h43
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O que é Diversidade Religiosa?

Se você consegue conviver em paz com aquele vizinho, parente, colega, cônjuge ou amigo que vivencia uma postura religiosa – ou não religiosa – diferente da sua, você já tem alguma simpatia pela Diversidade Religiosa. É um bom começo! A cultura da Diversidade Religiosa, que depende, para buscar a hegemonia social, da adesão de todos e de cada um ou ao menos de uma maioria “sociológica” significativa, avança, porém, num ritmo menor do que o da Intolerância Religiosa. Estamos, por enquanto, perdendo a guerra que travamos há anos com o fundamentalismo religioso no Brasil.... O que podemos fazer para reverter esta tendência? De nossa parte, lutamos em duas frentes: na busca pela criação de comitês estaduais e municipais da Diversidade Religiosa e no aperfeiçoamento da pragmática militante dos que atuam na área construindo, com suas ações, o caminho brasileiro para a Diversidade.


Antes de buscarmos a definição que motiva o título deste artigo, faço um convite a você, leitor/leitora: venha combater conosco pela criação do Comitê da Diversidade Religiosa da Paraíba! Cidadãs e cidadãos de todo o mundo estão convidadas a assinar a nossa Petição Pública neste sentido. Trata-se de um esforço para criar na Paraíba aquilo que o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) determina. Visite o nosso blog para conhecer e avaliar. SE concordar, damos a você as nossas boas vindas. O nosso blog é este: diversidadereligiosapb.blogspot.com.br


Após assinar a Petição, você receberá um simples e-mail confirmatório. Você deve respondê-lo para sua assinatura ser consignada.


A criação de um comitê que cuide de maneira consultiva da Diversidade Religiosa não é um favor e nem representa um problema apriorístico para a popularidade de nenhum governante, como alguns políticos ainda pensam, equivocadamente. A diversidade é parte da cidadania. Trata-se – a criação, de um dever cidadão do gestor público que é estrategicamente interessante para ele, pois soma à imagem dele próprio a credibilidade, a modernidade e a eficiência no conhecimento dos Direitos Humanos como sinônimo de (des)envolvimento! As regiões mais (des)envolvidas do mundo tendem a ser as de maior respeito aos Direitos Humanos. Os gestores que implementaram comitês experimentam hoje um resultado político muito positivo!


Considero essencial respeitar a diversidade cultural da Paraíba para se ter um Comitê da Diversidade Religiosa. Antes de fecharmos um projeto, temos – ativistas de Direitos Humanos e Sociedade Civil – o dever de ouvir os protagonistas do Campo Religioso no Estado. Não podemos encaminhar aquilo que não foi anteriormente debatido com ampla divulgação pública. É por isso que nós do Grupo Videlicet (PPGCR-UFPB) fechamos uma proposta conjunta com a Nova Consciência, importante ONG de Campina Grande, para levarmos o debate para o interior. Na capital, teremos um grande encontro em maio. O evento de Campina terá a sua data agendada em breve.
Já os esforços de parte dos militantes de Direitos Humanos na cidadania ativa, institucional ou não, tem variado de grupo para grupo. Há aqueles que parecem precisar de maiores convergências e de maior clareza explicativa. Mais estudo, talvez, para eles! Neste sentido, algumas noções basilares devem ser lembradas e retomadas. É sempre tempo de aprender, de saber e de se aprimorar-se! Além disso, o público em geral, que não milita na área, merece saber mais sobre o assunto.


A liberdade de expressão religiosa, base da Diversidade, não pode permitir os ataques entre as religiões, posto que são EXATAMENTE estes ataques o objeto da nossa militância e da cultura universal pela paz. Não se deve confundir esta postura histórica de defesa da liberdade de expressão, porém, com o impedimento ou restrição à liberdade de expressar e debater divergências acerca do tema em ambientes outros, propícios ao natural conflito de idéias, Ambientes antropologicamente definidos para isso, o que é natural da própria liberdade de expressão, religiosa ou não. Ou seja, o cidadão deve defender suas posições e respeitar as dos demais nos espaços típicos do campo religioso, o que implica respeitar templos, imagens, símbolos e ritos de outras cosmogonias que não a sua. No espírito da Diversidade Religiosa, ficará o indivíduo proibido de proferir ataques degradantes. Fora da ambiência dos debates acadêmicos ou similares, a discordância ativa quanto às bases, digamos assim, “filosóficas” das religiões dependerá de uma medição que chamaríamos de sócio-cultural para saber-se se se trata de desrespeito religioso ou não. O tema, portanto, é delicado. É um ciclo cultural que designamos assim: expressão/direito/expressão!!!!!!!


É essa fórmula simples de ação que todos nós que atuamos nesta seara vimos indicando e até solicitando a professores, políticos, policiais, juízes, promotores, governantes, etc. O equilíbrio fino entre a liberdade de expressão religiosa, o combate à Intolerância Religiosa e o direito ao debate opinativo livre sobre as religiões é o “estado da arte”, assunto vencido e consolidado na efetiva conceituação de Diversidade Religiosa como base civilizacional, dentre outros. É, aliás, dos primórdios dos Direitos Humanos: respeitar as idéias é algo que está no nascimento de tais direitos em sua 1ª Geração.... antes mesmo da noção de Diversidade Religiosa existir, por sinal. É desta fonte de saberes, no respeito às idéias religiosas como dignas da proteção no direito de expressá-las que bebemos nesta busca internacional pela integralidade do direito aos símbolos sagrados e aos espaços sagrados e suas vivências, síntese de idéias primordiais religiosas que não podem ou não devem ser atacadas pelo militante de Direitos Humanos!!!!


São estes princípios simples que as religiões devem respeitar entre si e os não religiosos devem respeitar nas religiões sendo igualmente respeitados por elas em seu ateísmo ou agnosticismo. Dirão que se trata de uma utopia, mas a consolidação desta Cultura de Paz é mais factível do que parece. É DAÍ QUE PARTE TODA A DIVERSIDADE RELIGIOSA, filha direta da liberdade de pensamento!


A sua relação com este assunto, caro(a) leitor(a), está principalmente na garantia do respeito aos seus direitos fundamentais. Assim como na política, você tem na religião o direito à livre organização e pertencimento. Além disso, você tem (teve?) o direito de receber, na escola, o conhecimento avançado hoje disponível graças às Ciências e à História das Religiões. Por fim, você tem o direito de não ser incomodado ou atacado de nenhuma forma por causa da sua escolha religiosa. Ou seja, nem os outros cidadãos nem o Estado podem força-lo a escolhas que não sejam as suas. O Estado, aliás, tem com você a obrigação da Laicidade, que o torna guardião do seu direito de organizar-se livremente em termos religiosos. O Estado não tem o direito de regulamentar vestimentas, ritos, iniciações, vida clerical ou qualquer outra atividade ou características “internas” típicas das religiões. Enfim, por este distanciamento que a Laicidade lhe impõe – ainda que seja o vigilante da liberdade religiosa – o Estado também não pode confundir-se com a religião, financiando-a de nenhuma forma, como lamentavelmente o faz no Brasil, seja em eventos, seja em shows públicos, seja em simbiose aqui e ali entre a escola pública e entidades religiosas....


A luta pela Diversidade Religiosa ainda se consolida no Brasil. Estamos engatinhando, mas este rebento dos Direitos Humanos nasceu forte. Além de poder apoiar a criação do comitê paraibano através da Petição que citamos acima, você também dispõe hoje do Disque 100, que graças a uma articulação que passou também, já no seu início, pelo Grupo Videlicet, perfilizou o atendimento a denúncias de Intolerância Religiosa.
São muitos caminhos possíveis para a sua atuação. Se preferir, atue no seu cotidiano “apenas”, pois também assim estará realizando o objetivo maior desta caminhada pela diversidade religiosa!! 
 


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