Renato Caldas

Renato Caldas

> ARTIGO

Publicado em 28/05/2014 15h31
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

Lidando com a resiliência

Muito se tem lido inclusive na mídia, a respeito da resiliência, tema que está mais que atualizado nos dias de hoje, face as dificuldades e as correntezas da vida que temos de enfrentar diariamente, e na qual temos de buscar recursos internos e saber a arte de navegar contra estas correntezas.

A resiliência é um processo, que Cyrulnik comenta: A resiliência é a arte de navegar pelas correntezas.

No seu livro Nietzsche para Estressados, Allan Percy aborda que Sigmund Freud disse as célebres palavras:  “Agradeço à vida por nada ter sido fácil para mim”.

Ainda que a existência do criador da psicanálise tenha sido repleta de dificuldades, indivíduos como o neuropsiquiatra francês Boris Cyrulnik—que escapou ainda criança do campo de concentração onde morreu toda a sua família passaram por circunstâncias muito mais   dramáticas. Porém, em    vez de causar sua destruição, essas experiências    aumentaram sua força    e fizeram dele uma pessoa mais sábia.

Se a correnteza não nos mata, como diz Nietzsche, acabamos   ganhando uma experiência essencial que nos ajudará a salvar a nós mesmos e ás demais pessoas em futuras provações.

De acordo com Oscar Wilde, quando deixamos de nos lamentar e seguimos nosso rumo apesar das dificuldades, praticamos   aquilo que atualmente se chama resiliência.

Uma das primeiras pessoas a falar em resiliência foi a psicóloga Emmy Werner, que em 1955, quando boa parte da população de Kauai vivia no limite da pobreza, começou a estudar o comportamento das crianças daquela ilha havaiana.

Entre essas crianças que cresciam em circunstâncias adversas, Werner percebeu que dois terços desenvolviam personalidades destrutivas ou irresponsáveis: gravidez precoce, alcoolismo na juventude e desemprego na idade adulta. Mas o outro terço não sucumbia àquele ambiente tóxico e era capaz de realizar-se pessoal e profissionalmente. As pessoas deste último grupo foram ditas resilientes.

Para Oscar Wilde,o que caracteriza um indivíduo resiliente é seu   afã  de progredir e lutar  por seus objetivos mesmo em um ambiente hostil, de acordo com Allan Percy, no Livro “Oscar  Wilde para Inquietos”. Em vez de entregar-se à queixa, ele se empenha em construir o próprio futuro.

O que vemos hoje, na nossa realidade, é que muitas pessoas se acomodam no mundo estático, sem nenhuma dinamicidade, sem perseverar, sem lutar e sem objetivos de sentido de vida. A Zona de Conforto é muito mais fácil, e vão caminhando desde a juventude, passando pela meia-idade, até chegar a idade da velhice, sem uma tomada de posição, nem pessoal nem profissional.

E ainda a citar-se, as influências externas que permeiam todo este contexto, onde não se lê, não se busca conhecimentos, sabedoria, religião praticada, colocação dos talentos em prática.

Nos deixamos levar pelo ambiente hostil e não procuramos ser resilientes pois com este comportamento, sairíamos de uma zona escura   para a luz do entendimento e da vitória, pois a nossa solução é individual, tanto pessoal, profissional como espiritual.

O filme Philomena, dirigido pelo inglês Stephen Frears, aborda essa preciosa capacidade de rever as próprias perdas sem se prender a elas de forma inexorável. Para fazer essa transição é fundamental acessar, em algum nível, um recurso subjetivo que vem atraindo a atenção de psicólogos e psicanalistas: a resiliência. O termo “emprestado” às ciências humanas pela física, refere-se à habilidade de refazer-se de golpes emocionais sem negar a frustação ou o luto e, ainda assim seguir em frente.

Baseado no Livro The lost child of Philomena Lee, de Martin Sixsmith, o filme fala sobre uma mulher idosa, que por décadas sofreu pelo filho que lhe foi tirado e, por fim, resolve procurá-lo com poucas chances de obter sucesso nesse empreendimento.

A resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse etc.— sem entrar em surto psicológico.

Em 2006 Barbosa propôs que se pode considerar a   resiliência   como uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.

Com relação a Resiliência, Leonardo Soares Grapeia, enfatiza que a Resiliência é a capacidade concreta de retornar ao estado natural de excelência, superando uma situação crítica.

Segundo dicionário Aurélio, é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo   deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de tal formação elástica.

“É A ARTE DE TRANSFORMAR TODA ENERGIA DE UM PROBLEMA EM UMA SOLUÇÃO CRIATIVA” (GRAPEIA/2004)

Quanto mais resiliente for o indivíduo maior será o    desenvolvimento pessoal, isso torna uma pessoa mais motivada e com capacidade de contornar situações que apresente maior grau de tensão.

A ideia de resiliência pode ser comparada ás     modificações de forma de uma bexiga parcialmente inflada. Se comprimida, pode adquirir as formas mais diversas e em seguida retorna ao estado inicial.

Existem dois tipos de indivíduos, aqueles que nascem resilientes e os   que se tornam resilientes.

Segundo Leonardo Grapeia, todos nós podemos nos tornar resilientes. Seguem algumas dicas:
   
-- Mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocada em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade.

-- Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação

-- Praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam endorfinas e testosterona que consequentemente, proporcionam sensação de bem-estar.

-- Procurar manter o lar em harmonia, pois este é o “ponto de apoio para recuperar-se.

-- Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a autoconfiança.

-- Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom.

-- Tornar-se um “sobrevivente” repleto de recursos no mercado profissional.

-- Apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas)

-- Separar bem o que você é e o que faz

-- Usar a criatividade para quebrar a rotina

-- Examinar e sobre a sua relação com o dinheiro

-- Permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer para em seguida retornar ao estado original

A resiliência consiste no equilíbrio entre a tensão e a habilidade de lutar, de atingir outro    nível de consciência, que nos traz uma    mudança de comportamento e a capacidade de lidar com os obstáculos da vida    e   do profissional.

Cabe a nós, neste mundo conturbado e desumano, enfrentarmos este desafio que se chama Resiliência, mudando de comportamento, e aumentando a nossa capacidade de lidar com os obstáculos, as pedras do caminho, tanto no aspecto pessoal, profissional e espiritual.

Essa é a essência da vida, porque ela não fica parada esperando o tempo passar. Ou seja, não é estática. A vida é dinâmica para nos fazer crescer.

Precisamos nos lembrar de que a vida nunca vai estar na versão final. Sempre exigirá ajustes.

Na verdade, acreditamos que Deus dá somente o acabamento que Ele julga  necessário... E a finalização dessa obra Ele deixa para nós fazermos.

Renato Caldas Lins
Escritor e Professor
Lins.rc@hotmail.com

   
    
   
          
   
   
   


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

Bookmark and Share