Renato Caldas

Renato Caldas

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Publicado em 29/10/2014 16h04
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Buscando a fugidia felicidade

A Felicidade é feita de momentos de compreensão, de satisfação por estar vivo, de recompensa por nosso esforço. O problema é que, nesse mundo dominado pela velocidade, desejamos conseguir essa recompensa imediatamente. E isso não é possível.

Para cultivar a fugidia felicidade, precisamos entender que ela não é tanto um estado de alegria por algo que aconteceu, como a paz interior ou a calma que vem do autoconhecimento.

Uma vida com rumo e sentido permite que nos aproximemos desse estado de equilíbrio que podemos chamar de felicidade.

John Kennedy diz que “a felicidade não se encontra no final do caminho, mas ao longo dele”.

Leon Tolstói dizia que “o segredo da felicidade não está em fazer  sempre o que se quer, mas em querer sempre o que se faz “.  Colocar a alma em nossas atividades é a melhor maneira de fertilizar o terreno em que deve crescer a felicidade.

Como dizia William Faulkner,devemos ter sonhos grandes o bastante para  não perdê-los de vista enquanto os perseguimos.

Muitas vezes a felicidade reside em perseguir o impossível.

Talvez nunca cheguemos aonde sonhamos, mas as oportunidades se abrem diante de nós e podem nos levar a novos caminhos, a novas trilhas que nos convidem a continuar subindo as montanhas da vida.

No livro” Hermann Hesse para desorientados”, Allan Percy refere que no filme de Gabriele Muccino, À procura da felicidade, o personagem interpretado por Will Smith diz ao filho: “Não permita que ninguém diga que você é incapaz de fazer algo, nem sequer eu mesmo. Se você tem um sonho, deve conservá-lo. Se quer algo, saia e busque isso, e ponto. Sabe, as pessoas que não conseguem realizar seus sonhos costumam dizer às outras que elas também não realizarão os seus “.

A história do mundo, afirma Hesse, foi feita de homens e mulheres que se recusaram a desistir dos seus sonhos e objetivos, por mais que eles parecessem estranhos aos olhos dos outros.

Está provado que um ser humano não pode ser infeliz sempre, tampouco feliz o tempo todo.

Em resumo, felicidade é algo temporário. A boa notícia é que a infelicidade também.

O filósofo francês Pascal Bruckner afirma que a sociedade criou uma exigência constante de felicidade. Em seu livro A euforia perpétua, ele afirma que nos sentimos obrigados a estar sempre contentes, a demonstrar alegria e a esconder a tristeza. A frase “Sejam   felizes   para sempre” se transforma em um mandamento, em um dedo acusador que aponta para aquele que não consegue levar isso adiante.

A vida humana afirma Allan Percy, está sujeita a reviravoltas, altos e baixos, a circunstâncias mutáveis. Precisamos avançar, mudar, decidir. E essa necessidade também implica rupturas, abandono, sofrimento.

Hermann Hesse afirma que a Felicidade é amor, nada mais. Quem pode amar, é feliz.

Esse filosófo alemão conclui seu livro Sidarta no momento em que o personagem principal encontrou a paz absoluta e descobriu o que há de mais importante:o amor.Captou a essência da vida, do mundo, do homem; descobriu que tudo está unido e por isso é capaz de amar a tudo com amor puro, pleno e incondicional, sem emitir julgamentos ou opiniões.

Louise M.Normand afirmava que “o segredo da felicidade reside mais em dá-la do que em esperá-la”. Esperar ser amado só gera frustração, desengano e uma constante desertificação de nossa capacidade de amar.

Dostoievski afirmava que “você é infeliz porque não se dá conta de que é feliz”.

A felicidade existe? E o que ela é? É uma alegria provocada por algo externo ou é algo mais parecido com um estado de paz e equilíbrio interior? Como sei se sou feliz, se não sei o que é felicidade?

Às vezes, simplesmente não vemos o que acontece ao nosso redor porque estamos muito ocupados em procurar a felicidade fora de nós ou em perguntar sobre ela. O mais paradoxal é que o mero fato de questionar se somos felizes faz com que nos sintamos infelizes.

Isto ocorre porque geramos um ideal de felicidade e buscamos este modelo.

No livro O gigante egoísta, Oscar Wilde narra a história de um gigante que expulsa as crianças de seu jardim porque não quer que elas brinquem ali. Quando as crianças vão embora, a primavera se vai junto com elas, assim como a vida.

Quando as crianças decidem se arriscar e entram novamente no Jardim, as árvores e as flores voltam a viver.

Da mesma forma, se medirmos o mundo e a nossa vida   pelo que não temos, nosso jardim interior sempre estará murcho e abandonado.
É ainda Hermann Hesse, que afirma que “só há felicidade quando não exigimos nada do amanhã e aceitamos de bom grado o que hoje nos traz. O momento mágico sempre chega.

Eckhart  Tolle, em O PODER DO AGORA, fala da importância de ser consciente do momento presente para não nos perdermos nos pensamentos e elucubrações.
É um erro centrar a vida no que esperamos do futuro, porque desperdiçamos nisso muita energia — uma energia que poderíamos dedicar a coisas mais úteis.

Felicidade é se tornar uno com o mundo

Ser uno com o mundo, segundo Allan Percy, significa atingir um estado de plenitude, de paz interior e sabedoria plena, chegar ao ponto em que deixamos de buscar o sentido das coisas porque já o encontramos.

Todos estamos deitados na sarjeta, só que alguns estão olhando para as estrelas.

Esta citação foi dita por Oscar Wilde, onde o mesmo afirma que há pessoas que aparentemente têm tudo na vida—saúde, beleza, dinheiro, liberdade – e são infelizes.Isto acontece porque elas fixam a atenção naquilo que lhes falta ou simplesmente   não sabem    o que querem da vida.

Outras, ao contrário, vivem situações penosas, mas são capazes de enxergar um cantinho do jardim onde bate um raio de sol.

Alguns causam felicidade aonde quer que vão; outros, sempre que se vão.

Oscar Wilde, afirmou que, uma vez que vivemos em sociedade, a Felicidade e o prazer de viver dependem dos companheiros de viagem que escolhemos em nossa trajetória.
É importante saber escolher as amizades, porque existem as que agregam valor à nossa vida, ao passo que outras claramente o subtraem.

O escritor e pensador alemão Johann Wolfgan Von Goethe, também viajante e literato, dava a seguinte receita para a felicidade plena: Toda pessoa deveria diariamente escutar um pouco de música delicada, ler um trecho de boa poesia e ver um quadro de bela feitura.

Dessa maneira, as preocupações da vida cotidiana não aniquilariam a capacidade que Deus pôs na alma humana de perceber a beleza.

No seu livro Louco Por Viver, Roberto Shinyashiki refere que precisamos assumir as rédeas de nossa vida e perceber que a cada momento nós podemos escolher ser feliz ou infeliz, apesar dos problemas.

A felicidade acontece quando você harmoniza o que pensa e sente com o que diz e faz.Ela precisa da sua paz de espírito para acontecer. E ninguém tem paz de espírito quando está cheio de contradições em sua mente.

Você faz escolhas todos os dias, em todos os momentos. Para ser feliz, tudo que é preciso é você escolher ser feliz a cada manhã. Ser feliz, apesar de tudo que possa estar tentando atrapalhar sua vida, apesar de tudo que esteja acontecendo no mundo.

Lembre-se sempre de que a vida nunca vai estar na versão final. Sempre exigirá ajustes, afirma Roberto Shinyashky, no seu livro Louco por Viver. É aí que está a beleza de viver intensamente, a cada momento. Então, não deixe para ser feliz só quando tudo estiver cem por cento, porque este momento nunca vai chegar.

Franz Kafka, filósofo e escritor nascido em Praga, nos convida ao Carpe diem, uma expressão latina, citada pela primeira vez por Horácio, que significa “aproveite o dia”. A máxima “Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje” deve ser aplicada também no terreno da Felicidade.

Já que a vida que temos pode acabar a qualquer momento, o dia  de hoje  é um tesouro que não podemos desperdiçar à espera de  dias futuros que talvez nunca chegue.
O grande filósofo e escritor francês Blaise Pascal, afirma que “O homem sente nostalgia de uma felicidade perdida”. “A alma    do ser humano é um abismo infinito que só o infinito pode preencher”.

Nossa paixão por viver também vem de ajudar os outros a serem felizes. Embora muitas vezes você não perceba, a alegria que repartimos com quem precisa dela contribui  muito para encher nosso próprio pote de felicidade.

O cerne da felicidade, segundo  Anselm Grun, no seu livro  A Arte De Viver, é “querer ser aquele que você é” (Erasmo de Roterdã).

Quando consigo ficar totalmente em sintonia comigo mesmo e aceitar agradecido as capacidades que Deus me concedeu, mas ser grato também pelos limites que experimento, então pressinto de certa forma o que é a verdadeira felicidade.


    

    
    

    


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