Renato Caldas

Renato Caldas

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Publicado em 30/09/2015 14h35
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Tempo de colheita

O tempo de colheita para todos nós,  depende de como providenciamos o plantio durante a nossa vida. Esse tempo também vai mostrar quais foram as nossas ações, que semente plantamos, como direcionamos os dons e talentos recebidos, e que frutos colhemos nesse caminhar  de viajantes no tempo.

Um provérbio diz: ”Somente para os ingênuos a velhice é inverno. Para os sábios, é tempo de colheita“. Sempre depende de como eu vejo e interpreto a velhice e o processo de envelhecimento. Se interpreto a velhice como inverno, então começo a sentir  frio quando passo a pensar no tempo que me está determinado. Se a vejo, porém, como tempo da colheita, então alegro-me com desfrutar a colheita.

A colheita não significa apenas que eu, na velhice posso olhar par trás, para as minhas conquistas, para o que produzi profissionalmente, para os projetos  que pus em prática, para a família que fundei  e com a qual agora posso alegrar-me  porque continua sempre a crescer.

A colheita significa, antes de mais nada, que eu me tornei o fruto, que encontrei  a mim mesmo, descobri meu verdadeiro  ser.

O processo de envelhecimento tem como meta o encontrar-me a mim mesmo, meu verdadeiro ser, a imagem originária que Deus fez de nós para si. Na velhice, já não se trata de produzir algo, mas de ser algo.

Não devo dar importância a mim mesmo. Encontrei a mim mesmo. Agora sou simplesmente eu mesmo.

Este caminho para mim mesmo é longo. E mesmo na velhice ainda não cheguei ao fim. No entanto, a velhice já é de certa maneira, completude  da história da minha vida.

Na velhice, trata-se de, através de minha história de vida e através de meus sonhos de vida que tive a partir de minha tenra infância, descobrir minha unicidade, aquilo que constitui meu verdadeiro ser, meu autêntico eu. Quanto mais descubro minha unicidade, mais agradecido me torno por minha vida e mais experimentarei minha velhice como colheita na qual posso contribuir com o fruto de minha vida, um fruto com o qual muitos outros podem alegrar-se.

Com relação a essa colheita, posso perguntar-me:

Para quem me tornei uma benção?
Onde deixei bênçãos  atrás de mim?
A quais pessoas ajudei?
Quem através de mim criou novas esperanças?
Com quem me relacionei amigavelmente?
A quem ajudei  a melhor administrar  sua vida ?
E você pode perguntar-se:Fui autêntico ?
Que  valores  cultivei  em minha vida ?
O que irradiei com  minha existência ?

Se você puder responder a essas perguntas com um bom sentimento então pode confiar que sua vida valeu a pena e que ela teve um sentido. Contudo, ao perguntar pelo sentido, você   não   deveria    somente olhar retrospectivamente.Você deve também perguntar : Que  sentido tem minha vida agora? Ou: que sentido eu gostaria de conferir  agora á minha vida ? A vida tem um sentido quando sou totalmente aquele que sou a partir de Deus, quando vivo autenticamente e quando gravo nesse mundo o traço completamente pessoal de minha vida.

Renato Caldas Lins
Escritor e Poeta
Lins.rc@hotmail.com
    

    

 


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