Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga

Juiz de Direito, Escritor, grande admirador das obras de Luiz Gonzaga, nascido na cidade de Pombal (PB), mora e exerce o cargo de Juiz de Direito atualmente na capital João Pessoa.

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Publicado em 20/11/2015 10h54
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Gritos silenciosos

2015, um ano de pouca chuva no Nordeste brasileiro. Muita estiagem, onde grandes mananciais d'água baixaram como nunca visto antes. Ficamos, a imaginar como será o ano de 2016.

Lembro-me da estiagem de 1993. Eu era juiz na Comarca de Sousa, inclusive, naquela ocasião, o açude do Jatobá, na cidade de Patos, secou por inteiro, ocasião em que andei de carro pelo rachado chão do Jatobá.


Mas, nada tão preocupante e alarmante em temos de seca como a que vivemos hoje. Não me recordo de presenciar ou ter ouvido dos mais antigos que Coremas/Mãe d'água tenha sofrido uma baixa tão expressiva como o quadro que agora se apresenta, ou seja, 12% de sua capacidade. Esse cenário se repete com as barragens de São Gonçalo, Boqueirão, Acauã e tantas outras em nosso Estado. A situação também é semelhante em estados do Nordeste.


E o velho Chico? Com suas nascentes mutiladas e firmemente assoreado, em boa parte do seu curso, não se apresenta mais como antes. O rio caudaloso, repleto de peixes, considerado a redenção nordestina, hoje mostra-se fragilizado, maltratado e agredido pelo homem. O Chico pede socorro.


Sem chuva, o nordestino olha para um céu sem nuvens, cinzento tempo de grandes barragens, açudes, rios e riachos sem uma gota d'água. Em muitos lugares, não é preciso mais lacrar bombas para evitar a irrigação. Não há mais água sequer para matar a sede de animais e da própria gente. As adutoras, da mesma forma, tornaram-se peças inócuas. Restam apenas os carros-pipa, que agora buscam em barragens do litoral água para ser levada para a enorme e crescente região atingida pela seca.


O que fazer? Será que pode ser feito algo além do que já vem sendo empreendido pelas autoridades e a própria sociedade? Não podemos apenas rezar, orar e esperar que Deus mande chuva. Aliás, para repor esses mananciais, são necessários verdadeiros dilúvios. Enquanto a chuva não vem, apenas gritos silenciosos e nada mais, pois parece que não acordamos ainda para a dimensão do problema. Devemos nos voltar para a sustentabilidade, se não sucumbiremos.


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