Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 22/06/2016 09h29
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Golpe linguístico

O idioma de Portugal aqui aportou através das expressões fonéticas e epistolares dos navegadores e colonizadores, já nele incorporados inúmeros termos latinos, gregos, árabes, espanhóis, italianos, franceses e ingleses, os quais lhe servem de alicerce. Não só, as ferramentas necessárias (sufixos e infixos) para construção de outros. Logo nos primeiros contatos com os nossos tupiniquins ele foi perdendo sua originalidade ao absorver e praticar o vocabulário tupi-guarani. Mais adiante, a influência do elemento africano foi fundamental na composição de novas versões idiomáticas do dia a dia nas interações de uma sociedade nascente. 


Nossas Constituições e atos oficiais foram redigidos com essa riqueza linguística, a qual veio a sofrer mutações à medida que se desenvolviam correntes migratórias, transações comerciais, econômicas, culturais, turísticas e tecnológicas, dos últimos séculos. É a partir daí que os gramáticos chamam de estrangeirismo, anglicismo, galicismo, pouco importa, isto é incorporação à língua mater de vocábulos oriundos de outras falas, as quais hajam ou não correspondências na nossa. Vários deles, por questão de modismo, existem possuindo um sentido de subserviência. Se dispomos no nosso dicionário do termo IMPEDIMENTO, quando se tratar de vedação de um mandato eletivo, no caso corrente, presidencial, para que usarmos “impeachment”? Não o importamos do inglês, fortuitamente, ele por si só representa um componente norte-americano invasor, que se junta a inúmeros impostos e digeridos pela nossa população, em especial e equivocadamente empregado pela rica mídia, que o remete aos meios de comunicação menos avisados, no sentido de corromper a soberania de um dos símbolos maiores brasileiros, apesar de toda mistura que vimos acima.


As manchetes e noticiários o produzem com muita empáfia, repetidos em coro pelos políticos e parlamentares, de todos os matizes. A questão, aqui, não é só cicatrizar a fratura constitucional contra a presidente do Brasil, mas, também, um segundo golpe, a “yankeenização” de uma palavra, a rigor igualmente uma prática criminosa.  Seu contínuo e maciço emprego não deixa de incomodar a quantos defendem um linguajar nacional, mesmo com suas gírias regionais e incorreções gramaticais, contudo autóctone. Isso ocorre pela acomodação e ausência de brasilidade de setores governamentais pertinentes e dos fardões de nossas Academias de Letras. Houve, sim, preocupação, talvez isolada, do deputado estadual gaúcho Raul Carrion (PCdoB), em legislatura passada, mas não tenho ciência de que respectivo Projeto-de-lei foi sancionado pelo então governador Tasso Genro. A intenção é de obrigar a tradução de termos estrangeiros para o português.


inocnf@gmail.com

       
 


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