Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 27/07/2016 10h58
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A farsa

Aliás, duas farsas, ambas com o mesmo pretexto: corrupção, crime de responsabilidade. No fundo, propunham fulminar dois mandatos presidenciais, legitimamente eleitos, de Fernando Collor e Dilma Rousseff, consequentemente fazendo ascender também dois fantoches, Itamar Franco e Michel Temer. As intenções também são casadas, o primeiro, apressar a implantação do neoliberalismo e sucateamento do patrimônio nacional. Não foi por outra razão que nomeou FHC Ministro da Fazenda. O segundo, na prática retirar o pré-sal das mãos da Petrobrás, entregando-o a grupos internacionais. O novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, já sinalizou prioridade desse projeto nas próximas discussões. Itamar Franco começou trair o Palácio do Planalto quando insinuado a facilitar negócios comerciais com a Ilha Formosa. Temer, não fez por menos, adota semelhante recurso contra nossa presidenta. 

Conforme reportagem do jornal “Gazeta de Alagoas”, ed. 23.04.1995 o enredo dessa história começa com a ousadia de Rony Curvelo, que decidiu investigar o estreito relacionamento entre o então  vice-presidente e o ex-vice-chanceler chinês, C. J. Change.  O jornalista brasileiro, municiado de informações colhidas de seguras fontes de Los Angeles, Hong Kong e Taiwan, concluiu pela existência de uma conspiração contra Collor. Intrigavam-lhe os contratados serviços de John Lee, no Brasil através de sua subsidiária, comandada por Elias Manuel Gomes, veiculados com a participação do assessor particular de Itamar Franco, João Marcos Martins.

Modestas eram os negócios comerciais entre nosso país e o território taiwanês, que desejava incrementá-los. A remoção do obstáculo só possível pela via do “impeachment”, no que foi facilitada pela mega operação de suborno, consistido no financiamento de US$ 70 milhões, a serem rateados entre os parlamentares. Ibsen Pinheiro e Mauro Borges, respectivamente presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, na época, funcionaram como agentes distribuidores da propinagem. Ainda foi requerida uma ajuda extra de US$ 260 milhões, rateada entre os estados do Ceará, que ficou com a maior fatia, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe, com certeza para reforço de apoio de seus representados junto às duas Casas congressuais.

Descoberta a trama, Rony Curvelo a converteu em dossiê, por ele pessoalmente entregue, em agosto/94, ao então PGR Aristides Junqueira, o qual deliberadamente o reteve até dezembro do ano seguinte, quando decidiu encaminhá-lo à Polícia Federal, exatamente dois dias após absolvição de Collor, pelo STF. São próximas as circunstâncias de que ele e a presidente Dilma Rousseff são vítimas. Episódios que forçaram o mandatário de 1992 à renúncia, por presumível tráfico de influência atribuído a PC Farias e exorbitância de gastos na Casa da Dinda, diante dos fatos, posteriormente apurados, não batem, pois, com a presumível verdade.  Assim como as montagens, que são feitas contra Dilma.  Acredito, pois, apesar de ferido nos seus brios, o agora senador reveja seu posicionamento, ante o atual quadro de impedimento, que certamente cruza com interesses externos, especialmente ligados ao petróleo.

 

Inocêncio Nóbrega
Jornalista
inocnf@gmail.com

 


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