Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 08/09/2016 11h00
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Brasil dividido

Superada a crise institucional de 1817, não se pode negar o esforço de Pedro I, pouco antes e após de proclamada Independência, de construir, territorialmente, uma nação grande e soberana. Liberal e autoritário, nos momentos que julgou correto, viajou à Minas Gerais, logo soube que a Junta Governativa manobrava contra ele, pondo em perigo o projeto de unidade nacional. Havia uma gestação de separatismo na capitania, operada por opositores os quais pregavam um Governo provisório. Pessoalmente, o Imperador teve de intervir, e lá conseguindo demover o impasse.


Na sequência, os paulistas da época vivenciavam o golpe de rebeldia, desfechado contra os Andrada. Martim Francisco, irmão de José Bonifácio, e o brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, que integravam a Junta de Governo de S. Paulo, perderam suas funções em virtude da rebelião de maio de 1822,  da qual integrava o coronel Francisco Inácio de Souza Queiroz. Esse episódio ficou conhecido por “A Bernarda”.  Questão meramente política, sem fundo jurídico suficiente, mais uma vez requerendo a presença do Imperador, para apaziguar os exaltados ânimos que ali reinavam. Para lá seguiu ele, a pedido de José Bonifácio, no mês de agosto, só retornando em setembro, nos trazendo o Grito da Independência, que ora comemoramos.


Para sua consolidação, entretanto, recorreu-se à formação de uma força armada, exército e marinha, recrutando-se, para isso, mercenários estrangeiros. Lord Cochrane e Pierre Labatut foram contratados, para comandá-las. Seus atos militares e policiarescos, especialmente em Belém, onde mais de 200 patriotas foram mortos, asfixiados nos porões do brigue Palhaço, porque defendiam uma administração genuinamente brasileira, sem dúvida tiveram a chancela do agora absolutista monarca. Todavia, capitanias e vilas, de norte a sul, foram aderindo, um a um, ao novo país, na forma que geograficamente se encontra.


A ideologia do realinhamento de seu território deu-se a partir do período republicano. Abdicando dos princípios da fraternidade humana,  regiões, Sudeste e Sul tornam-se protagonistas de atitudes seccionárias,   em relação às demais regiões, esbanjando preconceitos  de cultura. O Nordeste responde em 60 versos do poeta Ivanildo Vila Nova: “Jangadeiro seria o senador / O cassaco de roça era o suplente / Cantador de viola o presidente / O vaqueiro era o líder do partido / Imagina o Brasil ser dividido / E o nordeste ficar independente”. O conflito se intensificou com os resultados eleitorais favoráveis a Dilma Rousseff, garantindo-lhe a Presidência da República, quando os nordestinos passaram a ser tratados pejorativamente e, por vezes, com discriminação pelos irmãos sulinos e do Sudeste.


O segregacionismo vem se radicalizando no Paraná, Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, mesmo ao arrepio da Carta Magna. Essas três unidades federativas, sob o lema “O Sul é Meu País” marcaram um plebiscito extraoficial paralelo às eleições municipais de 2 de outubro. Não terá efeito legal, mas desde 1992 a causa existe. Em S. Paulo, há uma organização patrocinadora, sob o nome de “Movimento S. Paulo Livre”.   Nosso país caminha para seu retalhamento e vilipêndio de suas riquezas, trabalhado por governos impatrióticos e sem história. Tristes registros nessa Semana da Pátria.
Jornalista
inocnf@gmail.com
  
 


 


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