Des. José Di Lorenzo Serpa

Des. José Di Lorenzo Serpa

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Publicado em 16/01/2012 17h13
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Livros didáticos

Após a passagem do Natal e do Ano Novo, com as devidas comemorações, adentrou a minha casa um velho primo que, há tempos, não o via.

Tocou a cigarra e, sentando-se, após um longo abraço, foi dizendo:

- Feliz Natal, pois ainda é o tempo, e um próspero Ano Novo.

Respondi igualmente e conversamos o trivial, ou seja, os acontecimentos da vida. Falamos dos encontros e desencontros em virtude da correria do dia a dia.

Se tudo fosse um Natal, ou melhor, se todos os dias decorressem como no dia de Natal, o mundo seria bem melhor, disse-me ele, no que concordei plenamente.

Falamos sobre a estrela-guia que levou os três Reis Magos, Belchior, Gaspar e Baltazar, à manjedoura onde Jesus nasceu por ausência de hospedaria e que, a partir daquela data, seria Ele o personagem principal da História.

- Velho primo, como vai de saúde?

- Vou bem, apenas a vista me incomoda um pouco.

- Com certeza, seremos todos nós bem mais felizes em 2012, com paz e alegria no coração.

Tomamos um cafezinho para espalhar o sangue. De repente, depois de um grande espirro, que abalou as paredes da sala, foi dizendo:

- Como o tempo passa depressa: seus filhos estão casados e o primo velho tem sete netos que, por sua vez, já estão crescendo rapidamente.

- Todos os netos já mexem com o computador, ligando-o e desligando, procurando o assunto de que gostam nos sites da internet, sendo todos flamenguistas, a começar por Beatriz, e sendo Caio batedor de faltas, com tiro certeiro.

- Mas, primo, além do Natal e do abraço, extensivo a todos, inclusive a Rosário, mãe desta rapaziada toda, venho lhe pedir um favor.

Senti um suor frio na espinha e pensei baixinho:

- No mínimo serão mil pilhas. Estou ferrado.

- Venho lhe pedir emprestado o livro de português usado por seus filhos no colégio.

Suspirei fundo, aliviado!

Aí pensei que o primo fosse de outro planeta, quem sabe do mundo da lua, pois livro didático para servir a várias gerações era coisa do passado, de um passado que talvez não volte mais.

Comentamos juntos a impossibilidade do empréstimo por serem outros os livros adotados e lembramos o livro de História de Borges Hermida, o de Geografia, de Moisés Gikovate, e o de Matemática, de Ary Quintela, este, aliás, com problemas que nunca resolvi.

- É verdade, primo, disse-me ele.

Naquela época, os livros passavam de mão em mão, ou seja, de geração em geração, onde os irmãos e toda a primarada eram servidos para alegria pessoal do bolso dos pais e titios da família, não esquecendo a velha Crestomatia, que a todos servia, podendo ler A Última Corrida de Touros em Salvaterra.

- É verdade, primo, é verdade. Conta-se que os livros do ensino fundamental, o primário do nosso tempo, vêm acompanhados do “caderno de atividades”, obrigando-nos à aquisição de ambos. Portanto, tudo mudou e aqui me despeço com um abraço de continuidade de um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

- Ao velho primo também.


José Di Lorenzo Serpa
Desembargador


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