Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 16/02/2017 13h47
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Um mineiro na Revolução

Marquês de Marialva estava a caminho da Áustria, na busca de uma noiva para D. Pedro, enquanto a Coroa intensificava sua pressão política e espoliação econômica sobre o Brasil. Ao mesmo tempo a população brasileira começava a impacientar-se, principalmente a de Pernambuco, governado pelo cap.-general Caetano de Miranda Montenegro. No mês março eclodiu em Olinda-Recife o movimento armado, que a história o consagrou como REVOLUÇÃO DE 1817, ao ser lançado, no dia 6, Manifesto, explicando os motivos da rebeldia. Evidentemente teve caráter efêmero, cerca de dois meses, o bastante para sinalizar, mais uma vez, a insatisfação do nosso povo e a consagração dos ideais republicanos.


Rapidamente se espalhou pelas demais capitanias da região. No Ceará, a Vila do Crato erege-se em República.  Padres, comerciantes, militares, participam da conjuração. Com igual velocidade é cruelmente sufocada pelas armadas do regime monarca. Muitos são presos e remetidos para as masmorras da Bahia, havendo seus bens sequestrados.  Perdoados, voltam três anos depois. Tribunal da Alçada sentencia à forca ou fuzilamento treze heróis.  Da Paraíba, a 21.08.1821, três deles sobem ao cadafalso, armado no Campo do Erário, Recife, e aí executados: Amaro Gomes Coutinho, José Peregrino Xavier de Carvalho, o Tiradentes da Paraíba, e Francisco José da Silveira.


A respeito deste último, em livro do historiador paraibano Irineu Pinto o encontramos como Tte.-coronel de Cavalaria, Adido ao Estado Maior do Exército e Ajudante de Ordens do Governo de M. Grosso. Uma vez transferido para a Paraíba aí exerceu o mesmo posto, passando a constituir um Triunvirato. Democrata convicto, torna-se intimorato revolucionário. A ele se refere como natural das alterosas, não trazendo maiores detalhes biográficos. Apesar do cognome “José”, podemos admiti-lo, analisando-se determinados parâmetros, como haver nascido na cidade de Formiga-MG, em 1779, 7º filho do Alferes Domingos Antonio da Silveira, português, e Ana Rosa de Faria. São dados do escritor e genealogista José F. Paula Sobrinho, no 8º vol., onde está a descendência de seus progenitores, não esclarecendo, contudo, a situação conjugal de José Antonio da Silveira. Ambos militares, possuindo a mesma têmpora do latente inconformismo.


Até o momento não temos notícias das comemorações dos 200 anos da também conhecida por Revolução Pernambucana. Institutos Históricos da Paraíba e órgãos de cultura, pelo menos do nordeste, devem  lembrar a efeméride e esses mártires pela nossa Independência, não se eximindo de divulgá-la para o restante do Brasil. Um ato de nacionalidade.
Jornalista
inocnf@gmail.com
 
 


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