Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 21/03/2017 18h22
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São Francisco, Lenda e Realidade

Com 2.900 km de extensão, terceiro maior do mundo, o Rio São Francisco deita-se, literalmente, em berço esplêndido do solo brasileiro, conforme a letra do nosso hino maior. Portanto, rio da unidade nacional. Criado pela natureza para cumprir esse destino. Descoberto ao avesso  pelos exploradores Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio,  de passagem pela Barra de S. Miguel, Alagoas, que  a 4.10.1501 se depararam com a foz de um grande curso d’água. Por ser dia dedicado a S. Francisco de Assis, na liturgia católica, o denominou de S. Francisco. Para quem seguir o sentido inverso de suas águas logicamente alcançará a Serra da Canastra, de onde elas fluem.  De uma profunda fenda, escorrendo pela primeira grande Cachoeira Casca d’Anta, a 186m de altitude, cuja idade geológica do monte rochoso ninguém sabe.


  A notícia de seu descobrimento fez surgir lendas as mais diversas. Contava-se que suas nascentes, no município centro-oeste mineiro de S. Roque de Minas, tratava-se de uma região fantástica de palácios, onde se mirava a esperança. Viam-se, inclusive, índios passando com cestos de ouro.  Ilusões que ao longo dos séculos parecem se converter em realidade.


Tal tesouro imaginário despertou ideia para enfrentamento das secas do nordeste semiárido. José Raimundo do Paço de Porbém  Barbosa, Ouvidor da Comarca do Crato-CE, em 1817 elaborou o primeiro projeto de transposição de suas águas. Seguiram-se outros: o de 1847, concebido por Marcos Antonio de Moura. Previa um canal ligando Cabrobó-PE ao Jaguaribe-CE, aproveitado por D. Pedro II, que entre 1852/54, determinou estudos objetivando a viabilidade técnico-econômica; em 1886, é dado à luz o projeto do engenheiro cearense Tristão Franklin Alencar de Lima.


As discussões, sobre o tema, tomaram novo impulso no período republicano. Falou-se muito no governo de Afonso Pena, durante a gestação do antigo IFOCS.  O pres. Itamar Franco, cogitou algo nesse sentido. FHC, em visita à Fortaleza (1998), a quem foi entregue  manifesto com 1 milhão de assinaturas, coordenado pelo  dep. estadual cearense  Wellington Landim, mentindo para o povo declarou que a obra é prioritária na sua gestão. O parlamentar paraibano Wilson Braga diz haver vasculhado vários ministérios, nada encontrando em tramitação.

Em comício de campanha política, numa cidade goiana, JK prometeu construir Brasília. Assim como ele o pres. Lula, ao visitar a Paraíba, em fins de 2003, anunciou que desta vez as obras da transposição sairiam do papel, tornando em efetivas as lendas de ontem, o líquido ouro que buscávamos. Com determinação, enfrentando vozes opostas, a exemplo de ACM, da Bahia, com a pres. Dilma, tanto quanto Juscelino na inauguração de Brasília, farão em Monteiro, no dia 19 próximo, sob as bênçãos de S. José.

Jornalista
inocnf@gmail.com
 


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