Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 18/04/2017 10h10
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Entre Badaró e Edu

Por causa do seu comportamento inquietante o jovem médico, Líbero Badaró, é impelido pelos seus pais largar a vila de Laigueglia,  limítrofe com Gênova, preferindo o Brasil. Deixam Itália,  ao tempo impregnado de ideias liberais.  Em S. Paulo, de 1826, fixam residência, cidade, como restante do país, carregada de divergências e discussões políticas. Aliás, um ambiente rapidamente assimilado pelo novel imigrante, que a ele se integra.


D. Pedro desperdiça carinhosas manifestações do povo brasileiro, assim caindo, vertiginosamente, sua popularidade.  Imerso a duas facções ideológicas, a nacional e a portuguesa, opta por esta, numa visível guinada ao absolutismo. Dispara contra a Câmara dos Deputados, Magistratura e Povo. Porém, o monarca dispunha de suficientes meios de revidar impiedosos ataques da imprensa.  A dissolução da Constituinte de 1823 foi o estopim. “O Observador Constitucional”, voz altiva dos brasileiros, não se cansava de fazer denúncias de descaminhos do Império, pagando por esse posicionamento, com a morte, seu proprietário e editor, Líbero Badaró.


A história de intolerância para com a liberdade de imprensa,  repete-se, seguidas vezes,  não só sob regimes de exceção mas, também,  nos períodos de convivência democrática. Fernando Jorge, no seu livro “Cale a boca, jornalista!”, traz uma série dessas situações. Quero destacar uma delas, o processo movido pela ditadura, contra o jorn. Claudio Campos, do “Hora do Povo”, por haver divulgado listão de conhecidos figurões da política, de autoridades, generais e do mundo empresarial do Brasil, cerca de 150 nomes, solidários depositantes em contas suíças, algo em torno de CR$ 700 bilhões, em moeda  de 1980.  Acusados de idêntica infração, segundo a LSN, jornalistas dos diários “Gazeta do Vale”, de Itajaí, e “Afinal”, Florianópolis, por republicar a notícia, onde trazia, na condição de figurante, Jorge Bornhausen, governador de Santa Catarina, na época.


O espírito de intolerância e revanchismo, apesar dessas lições, pouco mudou. Mês passado o conhecido editor do “Blog de Cidadania”, Eduardo Guimarães, foi retirado, coercitivamente, de seu apartamento, na capital paulista, pela Polícia Federal, a qual justificou a ação como em cumprimento a mandato de busca e apreensão, determinado pelo juiz Sérgio Moro. Insensatas medidas da Lava Jato mereceram ferrenhas críticas do blogueiro, vítima, como foram e são muitos combatentes do bom jornalismo. Procedimentos judiciosos que desoneram a democracia e corroem direitos do cidadão. Remontam do Primeiro Reinado, sem legitimidade do povo, nos fazendo relembrar momentos vividos pelo mártir Badaró.

 



   


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