José de Paiva Netto

José de Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da International Federation of Journalists (IFJ)

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Publicado em 27/06/2017 11h45
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Crime do desperdício

Urge impedir o desperdício. É providência sensata, humanitária, em todas as áreas e das mais diferentes classes sociais. É um crime, por exemplo, deixar estragar alimentos, quando milhões de pessoas ainda passam fome.


O dr. Alan Bojanic chamou a atenção para esse fato em entrevista ao programa Biosfera, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196). Engenheiro agrônomo boliviano, ele é representante da FAO no Brasil:


“A FAO fez um estudo amplo para ver a porcentagem de perdas de alimentos no mundo. Temos uma cifra que é muito — vamos dizer — dolorosa! Depois que o produto é coletado, até chegar ao consumidor, e mesmo na casa dos consumidores, temos perdas muito altas. É quase um terço de toda a produção mundial que vai — se pode dizer — para o lixo. Uma produção muito importante, que tem implicações de todo tipo, em primeiro lugar, humanitárias, porque é comida que poderia ser dada para muitas pessoas carentes. É um absurdo ambiental, pois muita energia foi gasta na produção. E também tem a ver com a ineficiência econômica. Então, é um absurdo humanitário, ambiental e econômico-financeiro”.


Em O Capital de Deus, livro que estou preparando, comento uma passagem evangélica, que nos traz instrutiva lição.
Conhecedor dos Soberanos Estatutos da Economia de Deus, ainda ignorados pelos seres humanos, Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pôde realizar o milagre da multiplicação de peixes e pães, conforme o relato de Mateus, 14:13 a 21.

A Primeira Multiplicação de Pães e Peixes


“13 Jesus, ouvindo que João Batista fora decapitado por ordem de Herodes, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte. Sabendo disso, as massas populares vieram das cidades, seguindo-O por terra.


“14 Desembarcando, Ele viu uma grande multidão. Compadeceu-se dela e curou os seus enfermos.


“15 Ao cair da tarde, aproximando-se Dele, os discípulos Lhe disseram: Senhor, o lugar é deserto, e vai adiantada a hora. Despede, pois, esse povo para que, indo pelas aldeias, compre para si o que comer.


“16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, o alimento.


“17 Ao que Lhe responderam: Senhor, não temos aqui senão cinco pães e dois peixinhos!

“18 Então, o Mestre ordenou-lhes: Trazei-os a mim.

“19 E, tendo mandado que todos se assentassem sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixinhos, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, havendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões.

“20 Todos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos repletos.

“21 E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças”.

Além disso, não nos esqueçamos do que o Divino Benfeitor nos ensinou a respeito da capacidade pessoal de cada ser humano, ao dizer: “Vós sois deuses. Eu voltarei ao Pai, vós ficareis aqui na Terra, portanto, podereis fazer muito mais do que Eu” (Evangelho, segundo João, 10:34 e 14:12).

A quem, talvez por ócio, analisando o trecho anterior, argumentasse que Jesus é um caso especial e, por isso, não há parâmetros para se comparar a nossa competência à Dele, divinamente superior, poderíamos considerar que não seria necessário subirmos a tamanha grandeza, bastando que os que têm posses deixassem de desperdiçar tanto. Seria um passo. Sim, mas um passo considerável. Como observou Confúcio (551-479 a.C.): “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”.
Destaquemos que, no versículo 20 do capítulo 14, o Evangelista Mateus revela: “Todos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos repletos”.

Quer dizer, não jogaram fora o que lhes sobejou. As apreciáveis porções haveriam de, em nova oportunidade, beneficiar aquela gente ou outra. Costumo dizer que a migalha de hoje é a farta refeição de amanhã. Reflitamos sobre isso.

José de PaivaNetto ? Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com


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