Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 22/11/2017 13h52
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Viva o Imperador!

Falam os comentaristas que há um ligeiro crescimento da economia, quedas da inflação e dos índices de desemprego, porém Temer não passa de 2,0% de aceitação popular. Por outro lado, nascido e criado nas mordomias imperiais, com reflexos absolutistas e sem perder seu liame com as origens lusas, Pedro I com suas tiradas um tanto bombásticas, favoráveis à separação política do Brasil, aos poucos caia na graça do povo brasileiro.  “Um ato de guerra”, assim como se expressou, na iminente invasão do Brasil, por tropas portuguesas. Em semelhante momento, ele teria declarado: “Não adianta provocar, o Brasil saberá resistir”. Sua vontade de construir um país, contando com uma assessoria, comandada por José Bonifácio, na verdade contrasta com o atual governo e sua cúpula equipe denunciada  por crimes, ansiosos no desmonte  da nação.


Resultado, esse comportamento do monarca culminaria na nossa Independência. Quem, neste novo país, se quedaria contra o ato? A não ser comerciantes portugueses, na sua maioria, agrupados em princípios do tipo da Fiesp, que hoje defende. Sei que a decisão repercutiu, francamente, em todos os quadrantes da gente brasileira, a exibir-se, garbosamente, no estilo da época, nas Câmaras de suas vilas, participando de magnas vereações.  Como se pôde fazê-las em recintos mais sofisticados, isso aconteceu, primeiramente, no Teatro, em S. Paulo, na própria noite do dia Sete. Cinco dias mais tarde, os cariocas receberam, com euforia, a notícia. 


A boa nova alcançava, vagarosamente, diversas regiões da então colônia, por vezes demorando semanas. Todavia, correu célere ao Vaticano e ao Chile. “Gazzeta di Parma”, Itália, já a noticiava em sua edição de 21 de setembro.  Na Bahia, de um modo geral, comemorou-se a 12 de outubro, em Caeté e Itaparica. Caravelas, dia 21. Na Amazônia, exigiram-se alguns meses; menos no Piauí, Ceará e na capitania da Paraíba.  Nesta, a 27 de novembro, mercê de ofício enviado pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro.


Empolgada pelo júbilo cívico os paraibanos, já dizendo “Viva o Imperador!”, participaram de várias manifestações em algumas vilas. Na pacata capital, aí sim tomou conta de algumas ruas, estando presentes na sessão do Senado da Câmara, do dia  seguinte, 28,  que oficiou a adesão. Todas as classes sociais irmanaram-se, de alegria. Festejos maiores se deram quando da coroação do Príncipe Regente, em dezembro.  Cobriram o período de 16 a 24, com Te Deum, queima de fogos e iluminação noturna, a lampiões, nesse período.  Enfim, uma lição que faz refletir na escolha do próximo governo, que presidirá nosso bicentenário, em 2022.
Jornalista
inocnf@gmail.com


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