Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 22/12/2017 10h24
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Sindicalismo

A greve dos Metalúrgicos do ABC, na era 80, deu a Lula o “status” de combativo sindicalista, condão de que se serviu para alçar-se  à Constituinte de 1988 e, mais tarde, à Presidência da República. O então parlamentar competiu com setores da própria esquerda seu projeto de ampla liberdade sindical, quando estava em jogo a discussão sobre o sistema a ser preceituado pela nova Carta Magna. Na Comissão de Sistematização iniciava-se uma briga de foice e martelo, pois a ala PT-cutista defendia a pluralidade, enquanto outra facção, liderada pelo atuante Dep. Geraldo Campos (PMDB-DF), propunha unicidade sindical.


O funcionalismo público, até então banido do direito a sindicalizar-se, por circunstâncias políticas e de segurança nacional, entrou nessa briga, levando, ao mesmo tempo, duas propostas: revogação desse banimento e a unicidade. Também era o pleito dos Servidores da Paraíba, acompanhadas de três mil assinaturas, que as conduzi e se somaram a milhares de outras, nacionalmente, mas não alcançando o teto mínimo de 30 mil. Na discussão em plenário ganhamos no tapetão, por 63 votos a favor, 19 contra e 1 abstenção, mas perdemos no campo.


O preceito constitucional continua valendo, apesar de desrespeitado, gerando fissuras na classe trabalhadora. A desconstrução dos sindicatos existe desde o governo FHC e agora se acentua, para alegria do capital. 


Cerca de 16 mil são os sindicatos cadastrados no Ministério do Trabalho, havendo dualidades na representação dos trabalhadores. Inúmeras entidades sindicais nasceram da cooptação com governos locais, permitindo terreno fácil  para a parte patronal,  beneficiada pela cegueira da Justiça e harmonia dos três poderes.  É essa malha fragilizada de que dispomos para toparmos as adversidades, próprias do capitalismo.  Conviventes com escândalos nos serviços públicos, dentro de uma máquina administrativa moralmente falida, não brotam líderes classistas com espírito de luta. O cenário é sempre de clientelismo e protecionismo, em estados de democracia sem controle, apesar de que haja rejeições a tais métodos,  por parte de dirigentes de organizações sindicais. Sem muito efeito, pois as raízes estão na desobediência constitucional.  É preciso uma ampla reflexão sobre o assunto.

Ante essa heterogeneidade é difícil o enfrentamento pela reconquista de nossos direitos.  Curioso é que a montagem de uma estrutura sindical, ainda mais forte que a preconizada por Getúlio Vargas, saiu das hostes do PMDB, onde o Sen. Humberto Lucena foi um dos maiores bastiões, partido que quer dizimá-la, aproveitando-se do caminho da falta de unidade, cimentado pelo PT.
Jornalista
inocnf@gmail.com


 


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