Sinfronio Lima

Sinfronio Lima

Artista multicultural, mistura de ator, cantor e escritor, desde a década de 90 participa do cenário cultural paraibano, sempre com muita criatividade. Criou a Banda Omelete, que tem mais de 20 anos de carreira. Tornou-se Facilitador de Biodanza Sistema Rolando Toro em 1996. Desde então tem proferido palestras sobre Qualidade de Vida, Terapia do Riso e temas correlatos.

> ARTIGO

Publicado em 04/01/2018 10h41
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

Celebração da Vida

Uma sessão de Biodanza é um convite a participar de uma dança cósmica de celebração da vida e do encontro com o outro.

A princípio parece incoerente celebrar a vida, num mundo como o nosso, de fome e genocídio.

Porém, a proposta de Rolando Toro não consiste só em dançar, mas em ativar, mediante certas danças, potenciais afetivos e de comunicação que nos conectem com nós mesmos, com o semelhante e com a natureza.

Sim, porque não poderíamos mudar o mundo sem mudar a nós mesmos. A transformação mediante a Biodanza não é uma mera reformulação de valores, mas uma verdadeira transculturação, uma aprendizagem no nível afetivo, uma modificação límbico-hipotalâmica.

O fracasso das revoluções sociais se deve a que as pessoas que as promovem não realizaram em si mesmas o processo evolutivo. As transformações sociais só podem ter êxito a partir da saúde e não da neurose ou do ressentimento. De outro modo, as mudanças sociais só substituirão uma patologia por outra.

A Biodanza se propõe a restaurar nas pessoas, no nível das grandes massas, a vinculação originária à espécie como totalidade biológica. Este ponto de partida é indispensável para a sobrevivência.

É importante esclarecer que a dança, num sentido original, é movimento vivencial. Muitas pessoas associam a dança ao espetáculo de dança coreografada. Esta é uma visão limitada e formal da dança.

A dança é um movimento profundo que surge das entranhas do ser humano. É movimento de vida, é ritmo biológico, ritmo do coração, da respiração, impulso de vinculação à espécie, é movimento de intimidade.

Participamos, assim, de uma visão diferente. Buscamos acesso a um novo modo de viver despertando nossa adormecida sensibilidade.

Celebrar a presença do outro, exaltá-la no encanto essencial do encontro é, talvez, a única possibilidade saudável.

Incorporando esta nova visão de si mesmo, do outro e do universo que nos cerca, abre-se o caminho para uma reabilitação da nossa existência, em termos mais saudáveis, baseado no respeito a nossos próprios limites e no respeito ao outro, como semelhante e, paradoxalmente, singular nas suas diferenças. O respeito às diferenças é um caminho saudável para essa nova fase das relações humanas.


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

Bookmark and Share