Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

> ARTIGO

Publicado em 04/01/2018 10h47
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

Condor e Lava-Jato

Atitudes direcionais, claramente seletivas, praticadas pela Operação Lava-Jato, agora com o açodamento no julgamento do pres. Lula, parecem confirmar a motivação de sua origem e propósitos antipetistas, no plano interno.  Sua roupagem, entretanto, engana a população brasileira, que, iludida, acredita nas suas intenções moralizadoras. Com seus equivalentes, especialmente dos países do Cone Sul, tem uma gênese comprometedora com a doutrina geopolítica imperialista e neoliberal, capitaneada pelo Departamento de Estado. Assemelha-se, nos seus objetivos, à famigerada Condor, do pós-1975, desenvolvida pelas ditaduras na região, cujo alvo principal era exterminar movimentos oposicionistas, precisamente de natureza armada, a exemplo do MR-8, do Brasil; Tupamaros, no Uruguai, dentre outros.


O nome Condor, que tinha Manuel Contrera o cargo máximo,  deriva dessa ave de rapina, abundante nos Andes, bem apropriada para o exercício do terror. A Lava-Jato refere-se à determinada lavanderia e um posto de gasolina, em Brasília, onde organizações criminosas, por negócios ilícitos, comumente se reuniam.  É conduzida pelo juiz Sérgio Moro, detentor de cursos específicos para os objetivos da instituição, ministrados pela Universidade de Harvard dos EUA, a mesma que está sendo denunciada por limitar o percentual de participação de asiáticos, africanos e latino-americanos.


O jornal Clarin, o Globo portenho, reporta-se a discurso do subprocurador Kenneth A. Blanco, que revela a ampla interação com Sérgio Moro, desde 2009, via Departamento de Estado. E vai mais adiante: “o Brasil levou a cabo importantes resultados, cuja força tarefa da Lava-Jato coordenou resoluções, de combate à corrução, inclusive praticadas a nível internacional”.  Entretanto, a imprensa inglesa, destaca as acusações contra Lula, cujas investigações dessas operações têm mirado, exclusivamente, partidos de esquerda ou de centro-esquerda.


A ex-presidenta Michelle Bachelet, do Chile, ora sucedida pelo neoliberal Sebastian Piñera; o então pres. peruano, Ollanda  Humala , já submetido à prisão,  e o atual,  Pedro P. Kuczynski,  também sofre pressão; a  ex-presidenta argentina, Christina Kirchner, todos encimados pela nossa Dilma Rousseff, deposta por um golpe parlamentar, têm sido acusados por supostos envolvimentos de corrução. Kirchneristas e petistas são os mais atingidos. Na outra face, partidários de  Carlos Menem e do PSDB, poupados.  Na verdade, uma política de terra arrasada, visando destruir partidos de esquerda ou de centro-esquerda no Continente.  Nova doutrina imposta pelos norte-americanos, a fim de manterem seus tentáculos nas Américas. 

Jornalista

inocnf@gmail.com


 


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

Bookmark and Share