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Publicado em 02/02/2018 18h39
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Presidente afegão diz que Paquistão "é base dos talibãs"

Ghani qualificou os dois atentados, reivindicados pelos talibãs, de "ataques contra toda a nação" e prometeu que "os afegãos terão vingança, mesmo que demore cem anos"

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, acusou hoje (2) o Paquistão de ser a "base dos talibãs” e pediu a esse país "ações claras" contra os insurgentes, no primeiro discurso à nação após os atentados das últimas semanas que deixaram 120 mortos em Cabul. A informação é da agência EFE.

"O Paquistão é a base dos talibãs", disse Ghani após uma delegação enviada por Cabul apresentar na última quarta-feira a Islamabad "evidências" da presença de supostos terroristas no seu território.
O presidente afegão acrescentou que 11 supostos militantes suspeitos de ter colaborado com a organização dos ataques "foram detidos e suas origens rastreadas", sem mencionar explicitamente o Paquistão.

"Uma lista clara desses indivíduos e suas conexões foi compartilhada com o governo paquistanês", disse. Cabul espera "ações claras" frente aos documentos e evidências relacionadas aos ataques contra o Hotel Intercontinental na capital afegã, no qual morreram 20 pessoas, entre elas 14 estrangeiros, e o atentado com uma ambulância com explosivos que deixou 103 mortos e mais de 200 feridos.

Ghani qualificou os dois atentados, reivindicados pelos talibãs, de "ataques contra toda a nação" e prometeu que "os afegãos terão vingança, mesmo que demore cem anos".

"Medidas no âmbito nacional foram tomadas e a operação em Band-e-Timor (na província de Kandahar) foi um grande sucesso", afirmou Ghani, em referência à uma recente ofensiva no sul do Afeganistão na qual, segundo as autoridades, pelo menos 50 talibãs morreram e 32 foram capturados com vida. "Estas operações vão continuar", assegurou o presidente.

Afeganistão e Estados Unidos denunciam há anos que a rede Haqqani, uma das principais facções dentro dos talibãs, se refugia em território paquistanês, algo que Islamabad negou reiteradamente.

Desde o final da missão internacional de combate da Otan, em janeiro de 2015, o governo de Cabul vem perdendo terreno para os insurgentes e atualmente controla apenas 57% do país, segundo o inspetor especial geral para a Reconstrução do Afeganistão  do Congresso dos EUA.

 

Fonte: Agência EFE


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