Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 10/02/2018 11h45
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Branquinhos do Reino

Manuel da Costa Braga trabalhava como sapateiro em Ouro Preto, adepto das lutas populares que emergiam naquela região mineira, pela independência do Brasil. Referindo-se aos áulicos da Coroa deixou soltar, para a história, essa frase: “Estes branquinhos do Reino, que querem tomar nossa terra, cedo haveremos de deitá-los fora dela”. 


Branquinhos, de peles sedosas, de fisionomia e sobrenomes atípicos à miscigenação brasileira, convivendo com facções separatistas locais, são os três desembargadores que sentenciaram Lula a uma longa prisão. Imaginem Gebram, Paulsen e Laus, todos bem  nutridos a churrascos e chimarrão, julgando um Silva do nordeste, fugidio da seca, sustentado a feijão e farofa, como sobremesa  uma cachacinha. São dois hábitos culturais em jogo. Para aqueles, os interesses do Brasil não vêm ao caso, somente as ordens emanadas dos andares superiores. Em razão dessa disparidade o resultado, unânime, não poderia ser outro.


Usando, indevidamente, as leis, como seus colegas magistrados do Peru e da Argentina fazem, com relação aos ex-presidentes e simpatizantes de  Kirchner e Ollanta, não havendo dúvida de seu comprometimento com a lawfare, nova estratégia do Pentágono,  disseminada a partir de 1970 para, mediante utilização de determinadas manobras legais, as quais são convertidas em armas letais de perseguição a governos populares da América Latina.  Natural que Lula, pré-candidato à Presidência da República, por haver seguido uma política externa independente, num realinhamento a forças do povo e de autonomia continental, sofra esse tipo de condenação. O combate, seletivo, à corrução, com subtração, indevida, de direitos a adversários que se proponham defender as nobres causas da nação, como sua soberania e preservação de seu patrimônio, na verdade incorrem em crime de lesa-pátria, pelo que a história não perdoa.


Os respeitosos jurisconsultos de Curitiba e Porto Alegre, ao seguirem a doutrina ministrada na Universidade de Haward, por atos e decisões ocultam a imparcialidade, vetor maior da Justiça. Trocam simpatias a autoridades jurídicas norte-americanas e ao FBI, em sintonia com o mercado de capitais,  deixando patente o grau de subordinação a grupos externos. Ocasionam a quebra das estatais e das empreiteiras, decorrendo milhares de desempregados, e o pior, estimulam cizânias na família nacional. Se tivessem melhores intenções FHC também estaria sendo julgado pela geração de seu apartamento em bairro nobre de Paris, além de uma gama de memoráveis políticos.

A composição do Colegiado, que cartelizou seus votos, foi lamentável equívoco da nossa Justiça, a qual, nessas circunstâncias, deve dar uma resposta convincente à sociedade brasileira.



 


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