J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 17/03/2018 09h59
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A geração do mi,mi,mi

Verdade seja dita. A gente está vivendo a era do ‘mi, mi, mi’. Tem muita gente fazendo tempestade em copo d’água.

Estamos numa gangorra tão grande de opiniões, onde cada um tem a sua verdade, que perdemos a referência do que realmente é certo, o que deve ser seguido. As leis perderam o sentido e agora vivemos quase numa versão moderna do ‘olho por olho, dente por dente’. Cada religião que ‘seja’ melhor que a outra, cada torcida que se sinta no direito de estraçalhar a adversária, cada político se achando no direito de detonar com a história do opositor.


É muito pouco conteúdo para muita ‘opinião’ formada. A lição mais séria não foi dada: o ser humano precisa correr atrás do que deseja. Foi assim desde o começo da história. Foi isso que nos fez a raça dominante no planeta.


O fato é que vivemos uma realidade de jovens que supervalorizam aquilo que não têm e vivem em função disso. É uma enorme leva de aspirantes a Neymar, a Anita, a Pablo Vittar, dentre tantos outros. É a geração em que grande parte dos jovens aprendeu a ter tudo nas mãos, porém, os seus pais esqueceram-se de colocar no pacote os valores mais indispensáveis. São plantas que não foram podadas na hora correta e cresceram de forma errada.


Fazer escolhas, enfrentar as situações, assumir as conseqüências; tudo isto faz parte da vida, mas as pessoas pularam essa fase da aprendizagem. Muitos pais, por medo de machucarem seus filhos, plantaram em valas muito rasas as sementes do compromisso, da ética e da verdade, daí veio a primeira chuva de desilusão, medo e dúvida e arrastou as mesmas sementes para o mar das drogas, naquela ilha em que as meninas adoram ser chamadas de cachorra e descerem até o chão, aonde sobem o volume do batidão para não ouvirem a verdade que machuca.


Preferiram deixar o baile seguir e a vida os levar. Mas enquanto a bunda balança, o gol acontece e a TV ilude, a próxima eleição não tem uma opção boa para o Brasil, a gasolina subiu, o pai irresponsável está abandonando a novinha grávida, o bandido está solto na rua e o trabalhador honesto preso no medo de perder sua vida e a depressão atinge de verdade muita gente que se decepcionou com todas as verdades que acreditou, pois, onde há várias verdades é sinônimo de plena mentira.

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