Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional

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Publicado em 23/03/2018 09h53
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Mais uma voz calada pela violência

O Brasil vive uma crise ética e política, e isso não é nenhuma novidade. Entretanto, a morte da vereadora Marielle Franco, acontecida no Rio de Janeiro, levantou novamente o debate sobre o tema. Destacada pela sua luta pela paz, oportunidades iguais para todos e denúncias de corrupção nos órgãos públicos, Marielle foi assassinada covardemente a tiros, causando comoção nacional.

 

Marielle foi eleita em 2016, assumindo em 2017, sendo a quinta vereadora mais votada para a Câmara de vereadores do Rio de Janeiro, com aproximadamente 50 mil votos. Em 15 meses de mandato, ela apresentou 16 projetos de lei, sendo dois deles aprovados como leis concretas – um beneficiando as comunidades do Rio e outro tentando combater a corrupção na cidade.

 

Descrita como corajosa, Marielle tornou-se relatora de uma comissão de vereadores que acompanhava o trabalho de militares na intervenção federal na área de segurança da capital fluminense. Marielle que era líder do movimento negro, defensora dos direitos humanos e das mulheres, tinha posições políticas claras era considerada extremamente ética, proba e integra. Uma exceção em um momento em que a política nacional tem sua história manchada por tanta corrupção.

 

Cotada para concorrer ao governo do Estado do Rio de Janeiro, cabe perquerir: quanto tempo irá demorar para termos uma nova Marielle no cenário político do País? Infelizmente, temos um Brasil dominado por traficantes, pelo Comando Vermelho, pelo PCC e tantos outros poderes ilícitos. Por criminosos que em 2002 também mataram o jornalista Tim Lopes e em 2011 a juíza Patrícia Acioli, além de terem colocado termo a tantas outras pessoas íntegras e honestas que lutavam por um país melhor.

 

A morte de Marielle é um sinal da banalização da violência que toma conta do País e que tem nos feito reféns da insegurança e do medo. Precisamos de renovação, de novas lideranças e de representação identitária verdadeira. Precisamos de pessoas que sonham com um Brasil diferente, que lutam pelo bem coletivo e não individual. Precisamos de mais Marielles.

 

A violência no Brasil é um problema persistente, que atinge direta ou indiretamente a população. Cada dia estamos com níveis acima da média mundial no que se refere a crimes violentos, principalmente com o uso de armas de fogo e homicídios. É triste constatar, como foi feito em uma pesquisa do Instituto Datafolha em maio de 2017, que um em cada três brasileiros já teve um parente ou amigo que foi assassinado.

 

Com efeito, caros leitores, mister se faz  termos gestores públicos mais corajosos e determinados em combater o crime,  políticas de segurança mais firmes, leis mais rigorosas e   tornar as punições para  crimes mais rígidas. A população não pode se calar diante de mais um crime como este. Temos que lutar pelo nosso País.


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