J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

> ARTIGO

Publicado em 23/05/2018 10h25
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

Em que Jesus nós confiamos?

Sou réu confesso, não sei se posso intitular-me “cristão convicto”. Porque vejo cada dia mais pessoas que seguem somente religiões, não ao próprio Jesus, e que interpretam as Suas palavras da forma que desejam, não como realmente deve ser.

Acredito que a grande dúvida é analisarmos se somos cristãos convictos ou por conveniência, pois é moda e se encaixa no padrão dos bons modos e dos protocolos sociais afirmar ser Cristão, ainda mais se for pertencente aos segmentos mais ‘puros’, ‘rígidos’ e ‘intelectualizados’.

Não sou nenhum teólogo, mas acredito poder opinar sobre algo tão democrático, mesmo que polêmico. Percebemos pessoas que utilizam da moral cristã para obterem benefícios particulares, quando o discurso de Jesus era exclusivamente voltado para o bem comum, direcionado ao coletivo.

Não há perdão, há acusações. A obediência aos ensinamentos de Cristo é cada dia mais relativizada. A teoria religiosa passa a ser distorcida, fundamentalista, usada como arma contra os outros, não como instrumento para edificação humana. Valem mais as reverberações de tradições antigas do que o poder do amor e da misericórdia que brotaram do coração e dos gestos de Cristo.

Até a própria ideia de salvação parece ser uma forma de negociação, pois o humano só faz o certo (ou tentar aparentar fazer) porque tem uma garantia pós-vida. A negociação com Deus soa como algo mesquinho. É rara a caridade despretensiosa.

Afinal, em que Jesus Cristo nós dizemos confiar? Naquele da Bíblia, no dos segmentos religiosos ou no que criamos para satisfazer nossas vontades?

Uma das poucas certezas que tenho é que a santidade não se encontra nos púlpitos nem nos altares, e que Jesus Cristo preferiu a simplicidade e a discrição aos holofotes que muitos que ‘o seguem’ no dia de hoje são tão fanáticos.

Não precisamos criar um Cristo para nos colocar em evidência. Necessitamos de Jesus Cristo para nos levar à salvação, mesmo que em desencontro com tudo que o mundo, e até algumas ‘religiões’, nos preconizam.

Não prego uma anarquia religiosa, nem afirmo que as religiões não servem para nada, mas observo que não estamos maquiando apenas os nossos pecados, estamos, também, editando um Jesus Cristo relativista em nossa mente que nunca existiu realmente.


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

Bookmark and Share