Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga

Juiz de Direito, Escritor, grande admirador das obras de Luiz Gonzaga, nascido na cidade de Pombal (PB), mora e exerce o cargo de Juiz de Direito atualmente na capital João Pessoa.

> ARTIGO

Publicado em 09/06/2018 11h41
  • Tamanho da letra
  • A-
  • A+

Vagões da vida

Na estação primeira da minha vida, julho de 1966, entrei no primeiro vagão do trem do tempo que Deus me reservou. Era o vagão da infância, que deslizava sobre trilhos banhados pelo céu azul do sertão paraibano, onde ali abri os olhos da inocência.

E lá foi o vagão, puxado pela máquina da origem, pelos trilhos da vida que só nos leva adiante e nunca volta. Da janela, belos cenários avistei: Nas margens de um rio, meninos jogando bola; outros águas de um açude, molhando corpo e alma, enquanto outra criança testando a elevada envergadura de um galho de uma goiabeira, sentado acenava e se deliciava comendo goiabas. Mais adiante bicicletas e crianças, no correr sem medo em busca de aventuras.

E lá foi o vagão, passou por jardins do amor, do cuidado e dos primórdios ensinamentos para o caminhar pela longa estrada da vida. Quando dei por mim, já estava num outro vagão, de horizontes inquietos, de mudanças, desafios e de rebeldia. Era o vagão adolescente, do engrossar da voz, da paquera, de tantas descobertas e do lutar, sem temor, pela conquista de tantos sonhos.

Mas o trem não pára, e logo estávamos num outro vagão, o da maturez, onde a natureza do prelúdio tempo adulto é impulsionado pela ideia do aprimoramento, do conhecer a cautela, a responsabilidade e os compromissos. Época que no seu avançar viabiliza a renovação das energias, que permitem o aperfeiçoamento de condutas para o enfrentar contínuo de intempéries a serem vividas a cada momento restante do trajeto existencial.

A viagem é rápida e após os cinquenta anos, o retrovisor nos mostra que cada ato praticado interfere no roteiro. Se coisas ruins perpetramos, aproveitemos o instante seguinte, para o bem realizar, a esperança renovar e a fé em Deus eternizar na criança que ainda habita em nosso âmago.

 


tags
Nenhum resultado encontrado.

Comentar

Bookmark and Share