J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 19/06/2018 11h30
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Eu quero gritar gol

Por favot, não me queiram mal

Desperta uma criança no coração da grande maioria de nós, brasileiros, toda vez que um apito soa e a bola rola no campo de futebol. Não é culpa do nosso baixo senso crítico, muito menos do nosso desleixo com a situação econômica do país; é que a gente aprende a amar aquilo que um dia nos fez sorrir quando não tínhamos muitos motivos para isso.
Não importa se você é menino ou menina; se for brasileiro, acostumou-se a ver um campinho com traves improvisadas em qualquer margem de rio, beira de estrada, fundão de fazenda, terreiro de engenho ou mesmo revezando espaço com pessoas e veículos no meio de qualquer ruazinha do país.


O futebol é, ao mesmo tempo, a primeira brincadeira, o primeiro sonho, o primeiro amor e, para explicar as muitas revoltas, a grande decepção de alguns (e não estou falando apenas do 7x1).


Ofereceram-nos uma bola que, mesmo quando não era nossa, nos congregava. Era triste para qualquer criança que, mesmo proprietária de uma bola, tivesse que jogar sozinho. Por isso que nos sentíamos na primeira democracia de nossa vida; porque a bola nos tornava iguais, até superiores. Era muito comum que o craque do nosso time fosse o menino que não tinha, sequer, um calçado nos pés.


Mesmo com os dedos do pé roídos da última pelada ou o calcanhar inchado, a gente não reclamava, porque a alegria do futebol sempre nos fez ignorarmos as dores. Talvez seja por isso que as dores sociais nunca apagaram o amor que temos por este esporte. Não sentíamos a dor, assim como não percebemos quando fizeram do esporte do nosso coração uma espécie de negócio, máquina política, supervalorização de marketing, etc.


Não foi culpa nossa. Mantemos dentro do nosso coração sempre a esperança do grito de gol. A vaga ideia de esperança para comemorar. Muita gente ascendeu financeiramente com o futebol, mas sua grande função sempre foi nos fazer esquecer os problemas da vida no domingo a tarde ou na quarta a noite.


Pelo menos por um instante, por 90 minutos, nos sentimos parte de algo maior. Talvez, por isso, dizem que somos a ‘Pátria de Chuteiras’, pois a ideia de pátria vem da importância de todos na construção de um país, e foi apenas o futebol que nos fez acreditar nisso, já que a política nunca colabora nesse quesito.


Não morro de amores por nenhum jogador de futebol, mas não posso negar minha história e minhas origens. Meu protesto não faço durante os noventa minutos. Afinal, para o Brasil ser um país mais justo não precisa deixar de ser o país do futebol. A gente só precisa conhecer todas as regras e não deixar que nenhum juiz ou presidente interfira naquilo que somos especialistas em fazer: driblarmos qualquer adversário que nos queira derrotar.

(José Geraldo Fernandes Neto)


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