Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga

Juiz de Direito, Escritor, grande admirador das obras de Luiz Gonzaga, nascido na cidade de Pombal (PB), mora e exerce o cargo de Juiz de Direito atualmente na capital João Pessoa.

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Publicado em 23/06/2018 13h26
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Terreiros, sem forró

É com tristeza que assistimos o desmonte de uma cultura. Novamente chegam as festas juninas e gestores públicos associados ao fator comercial, adotam ações que só visam promover a desconstrução de uma cultura que é o maior símbolo do Nordeste, a Festa de São João.

Infelizmente não há compromisso algum dessas autoridades com a cultura e a tradição. Os festejos juninos nordestino são, sem dúvida, patrimônio cultural de raiz do povo nordestino, protegido pela Constituição Federal e, tem no seu contexto os ritmos como o forró, o baião, o xote, o xaxado, as marchinas, o coco, etc, como também aglutina no seu bojo a culinária de comidas derivadas do milho, como a canjica, o milho assado e cozinhado, a pamonha, o pé de moleque, além da carne de sol, a buchada, o picado de bode e por aí vai.

Hoje esse formato se encontra deformado. O forró, basicamente foi banido da festa. O San John de Campina Grande, Patos, Caruaru e outras cidades, resolveram escantear o forró e em troca colocaram o funk, o breganejo, a sofrência, tecnobrega, o sertanejo universitário e a música eletrônica. Nada contra os artistas que integram tais ritmos, questionamos o fato de que o São João é uma festa cultural e, assim, o seu formato deve preserva a cultura intrínseca a sua tradição, não permitindo agressões a sua histórica essência e existência.

Cadê os 8 baixos, a sanfona, o triângulo e a zabumba? Não interessa se a festa é produzida pela gestão pública ou de forma terceirizada, estamos falando de uma festa cultural, e, como tal, deve observar a tradição. O argumento de que o forró não tem público é conversa fiada apenas para encobrir os fins comerciais e outras coisas mais. Campina Grande não pode mais dizer que tem o Maior São João do Mundo, nem Caruaru se intitular de Capital do Forró, pois promovem festivais que visam aniquilar o São João.

Onaldo Queiroga


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