J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 25/06/2018 12h28
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Chegue cá, esse minino!

Oi. Sou do nordeste brasileiro. Isso mesmo. Digo mais: sou Paraíba.

Não vou chorar pelas infâmias nem pelas injustiças, pois meu povo aprendeu a driblar a desigualdade. Também não vou esquentar os miolos porque não reconhecem que foi o meu povo do nordeste que construiu mais da metade do país, pois se alguns resolvem encarar a vida com “malandragem”, o meu povo resolveu vive-la com trabalho.

Não vou guardar mágoas, pois estou muito ocupado com o orgulho que tenho dos meus artistas, da minha cultura. Alguém aí já ouviu falar em Patativa do Assaré, Ariano Suassuna, Jorge Amado, José de Alencar, Luiz Gonzaga, dentre tantas outras mentes geniais? Pois é, eles nasceram aqui por essas bandas.
Sou de um povo que se contenta com pouco mesmo, pois já conseguiu sobreviver com quase nada.

O meu povo criou seu próprio jeito de viver. Aprendeu a ler e a escrever no passado com uma literatura muito peculiar, uma tal LITERATURA DE CORDEL, que além de linda, tem a essência da minha terra. Se por aí copiaram um tal de RAP, lá das bandas dos estates, aqui a gente já tem faz tempo o nosso repente. Duvido quem tenha coragem de desafiar a inteligência simples do repentista do meu interior.

Olhe bem para o sorriso do meu interior. O riso do matuto é algo doce, quase inocente, mas digno dos lábios dos maiores sábios.

Aqui a gente aprendeu que tem que plantar pra colher e que tem que suar pra merecer.

Na essência do nordestino não existe esse tal de hipocrisia não. A gente diz o que sente. Podemos até não estar bem maquiados o tempo todo, mas é porque o nordestino criou uma crosta (quase uma ferradura) cunhada no sofrimento e no sol, para proteger uma alma que só saber querer bem aos seus.

Ouvimos falar daqui que o mundo agora tem medo do que fez com o planeta, que tem gente aí com medo da seca. Faço o convite a vocês que cheguem cá nas minhas bandas, pois o sertanejo aprendeu a flertar com a seca faz tempo, a gente sobreviveu à sua hostilidade.

Mas por aqui não temos somente terra seca não. Convido qualquer um a visitar o nosso paraíso de diversidades, do litoral ao sertão, a gente se aproxima da essência do natural, aprende a amar mais aquilo que Deus nos deu.

O meu povo tem santos que nem precisaram se canonizados, foram santificados por consenso popular. E não me venha dizer que não sabemos rezar, pois aqui nessas bandas toda religião tem seu lugar, toda alma tem seu credo. Aqui a solidariedade é normal, a dor do outro é nossa dor também.

Chegue cá pra essas bandas buscar sossego. Deixe de aperreio e sente conosco pra prosearmos sem má querência. A gente cresceu sofrendo, mas não esqueceu como se ama.


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