Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 09/08/2018 09h25
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Apelidos da História

Apelidos são recursos que famílias e comunidades usam, para, de uma forma mais carinhosa de tratamento, melhor se interagirem entre semelhantes mais próximos, sempre abdicando de seus prenomes, batismais ou de registro civil. A partir daí nasce o cidadão. Dos mais variados aos hilariantes  que constroem, se aproveitam a fim de postularem cargos eletivos, assim montando sua popularidade diante do eleitorado. São milhares deles que deixam registrados na Justiça Eleitoral, visando converter o eleitor a seus propósitos. Apanhei alguns desses epítetos, apenas como exemplos, todavia evitando declinar o titular, precedendo-os  por reticências: (...) da Barraca; (...) da Droga; (...) da Batata, (...) da Semente, Todinho, etc.


Trago, dois nomes, espontaneamente  escolhidos pelo povo,  levando-os, eleitoralmente, aos mais altos cargos de seus respectivos países: Mandiba,  na África do Sul, e Lula, no Brasil.  Referindo-me ao primeiro, Nelson Mandela, o mesmo  Rolinlahla, que em africano significa “causador de problemas”.  Nascido em terras sul-africanas, um dos membros da tribo Xhosa, onde 78% da população é constituída de negros, separada em nove grupos tribais. Essa divisão é estratégica, preconizada pelos colonizadores britânicos, de minoria absoluta.


Tais europeus, desde o início se distinguiram dos independencistas, fazendo gerar a Guerra dos Boêres, de 1899/1902, tornando-se o embrião do “apartheid” (separação), de efeitos racistas. Esse o sistema político dessa  nação, rejeitada pela própria comunidade do Continente.  A reação interna contra o governo segregacionista ganha corpo mundialmente, em razão do massacre de Shaperwille (1960), ocasionando a morte de 69 manifestantes. O ativista Mandiba, de 46 anos, um dos líderes maiores do movimento negro, é  acusado de ações terroristas, sendo condenado à prisão perpétua.


Não haveria pacificação política do país enquanto o futuro herói da paz não fosse solto. Negociou-se um modelo multirraciall, para conduzir os destinos da África do Sul.  De cabelos grisalhos, numa tarde de 1990, deixa o presídio, após negociada a transição política. Nas primeiras eleições presidenciais passa a ser o Presidente Mandiba. Ele nos visitou em 1998, quando nos deixa essa mensagem de heroísmo, de vulto popular, que tanto incomoda as classes dominantes e poderes constituídos. Dia 18 de julho  último completaria  seus cem anos de existência.


Está muito bem representado, em masmorra curitibana, pura imagem do povão, vultos que se confundem.  A ausência, judiciada, nos palanques e praças públicas, brasileiras,  do presidenciável Lula, sem dúvida  comprometerá a plenitude democrática e a paz social. Disso, a Justiça sabe.
Jornalista
inocnf@gmail.com

 


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