J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 23/08/2018 14h54
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Brasil: um País cada dia mais chato

A gente respirava futebol e tinha orgulho dele; fizeram da nossa paixão esportiva um mercado  lucrativo, lotaram as arquibancadas de gangues organizadas, expulsaram as famílias dos estádios, deixaram os cartolas enriquecerem, quebraram as tradições, e fizeram  vários gols contra todos os apaixonados.

A gente tinha algumas religiões. Vivíamos uma harmonia em alguns lugares, o sincretismo em outros. Hoje cada um comprou um deus para si, e as oferendas a esses deuses variam desde curtidas no facebook, visualizações no youtube, número de dvd’s vendidos, arrecadação de shows, camisetas com frases religiosas que não dizem nada do que o coração passa, dízimos astronômicos, popstars da fé. Além do mais, todo mundo prega o deus do amor e vivem se odiando claramente.


Que país chato é esse em que as pessoas fazem música para se agredirem em vez de se divertirem. Além do mais, virou moda os rótulos musicais, como se uma pessoa não pudesse ter um bom gosto eclético, variando por vários estilos musicais. Talvez a gente tenha que entender que o cantor da moda sertaneja não é inimigo do MC da favela.
Concordo que a política sempre foi chata. Poucas vezes tivemos gente respeitosa e competente no poder. Porém, além da modinha de partido mudar de nome, agora eleitor também mudou de denominação. Que coisa chata essa história dos coxinhas, mortadelas, bolsominions, e tantas outras denominações pejorativas que só mostram que o brasileiro não sabe respeitar quem pensa diferente dele.


Emita uma opinião sobre gêneros e conquistará a inimizade de um homossexual ou de um heterossexual. Diga o que acha sobre um candidato e terá seu muro ou rede social bombardeados verbalmente por quem discorda. Diga que não acredita em ET’s e de forma mágica é bem provável que você seja processado pela sociedade protetora dos extraterrestres.


Disseram-me que sempre haveria polêmica se tocássemos na emblemática tríade: futebol, política e religião. Mas hoje, tudo virou polêmica no Brasil. Já vi briga de veganos, carnívoros e vegetarianos por quem come melhor; já vi confusão entre ouvintes de rádios, telespectadores de redes de televisão específicas, e até de gente que encontra todos os argumentos possíveis para provar que a sua série de TV é mais divertida ou inteligente do que a outra.


Puts!!! Que país chato. Ninguém se entende. E enquanto a gente vai virando inimigo e dividido, vai ficando mais fácil de irem desbrasileirando tudo que tínhamos de melhor.

 


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