J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 23/08/2018 14h56
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Sabe o professor? Põe a culpa nele

O professor é sempre o culpado. Claro que o aluno não aprendeu porque a didática dele é fraca e suas práticas são ultrapassadas. Não há dúvidas de que boa parte do fracasso nas notas de vestibulares e indicadores educacionais se deve à falta de qualidade do professor. Todo pai ou mãe sempre tem razão quando atribui ao professor o fraco desempenho do seu filho nos estudos.

O brasileiro faz com o professor o que se acostumou a fazer em qualquer situação para não assumir a responsabilidade dos seus atos: joga a culpa em qualquer bode expiatório.
O fato é que a sociedade está ruindo por todos os lados e a educação é a única coluna institucional capaz de mantê-la de pé, mas é preferível desprezar quem ainda luta pelo futuro; afinal, para muitos, quanto pior, melhor.


O professor que formou a sociedade precisa agora da sua ajuda para sobreviver e cumprir com a tarefa eterna de edifica-la.


Está claro que vivemos em uma sociedade de papéis invertidos. Declararam que o professor é réu, quando na verdade, tem sido vítima do sistema, obrigado a carregar o peso das irresponsabilidades do governo e das transgressões culturais e familiares. Prenderam o professor numa cela de autoritarismo, limitações, exigências insanas e desrespeito; deram para ele apenas a ração necessária para não desmaiar de fome em sala de aula e poder ir e vir para a escola.


É ele que conhece como está o aluno apenas pelo jeito de andar. Geralmente identifica seus medos e defeitos no fundo dos seus olhos. É um dos primeiros, as vezes o único, profissional que aconselha os pais na criação dos filhos enquanto cidadão. É psicólogo, assistente social, polícia e juiz dentro da própria sala, em situações que somente quem é professor vai saber entender.


Quando um professor é desrespeitado, agredido, enganado, é a sociedade começando a amarrar a corda no pescoço, sufocando o futuro, impedindo que o desenvolvimento, a moral, a ética e os bons costumes atinjam os corações que baterão ditando o ritmo do amanhã.


O professor, principalmente da rede pública, é condenado por não se qualificar, mas não são raras as vezes em que seu salário é comprometido com atribuições que deveriam ser do governo. Há muitos mimos recebidos por pais e alunos que saem do pequeno salário do professor, porque ele precisa cultivar o aluno e sua família, para tornar a educação mais humanizada ou, na pior das hipóteses, para não falarem mal do seu trabalho no final do ano.


Mas... quem mandou ele cursar pedagogia somente porque era o curso superior mais fácil de se fazer? (é isso que dizem os verdadeiros ignorantes) Todo mundo sabe que licenciatura não garante bons salários para os profissionais.


Afinal, a culpa é mesmo deles. São culpados por amarem demais um passado e um futuro que não é somente deles. São réus confessos por carregarem um peso que não agüentam sozinhos e cometem a irresponsabilidade de se proporem a isso. Ponha a culpa neles porque você acabou de ler este texto, concordando ou não com o que está escrito.
 


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