J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 27/09/2018 14h34
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Um golpe de faca nas entranhas do Brasil

“Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.” (Voltaire).

Mais do que uma inadmissível tentativa de assassinato do presidenciável Jair Messias Bolsonaro, o golpe desferido contra o deputado escancara mais uma vez o tamanho do despreparo da grande maioria dos brasileiros para exercerem a democracia.

Possuímos o direito de votar, promover greves, aderirmos a partidos políticos ou outras associações, mas jamais o de cercear a vida de alguém.


Vivemos uma guerra civil velada. Mais do que esquerda contra direita, a intolerância se irradiou como uma espécie de metástase. O que antes figurava como uma guerra ideológica de ricos contra pobres, nortistas contra sulistas, brancos contra negros, agora se arraigou na engrenagem social e transformou o território nacional em um campo de batalha tão hostil que não polpa ninguém de suas conseqüências.


Um corte nas estranhas brasileiras atualmente revela uma fragmentação conflituosa de feministas contra machistas, LGTB contra homofóbicos, crime organizado contra a parte honesta da polícia, milícias infectando a segurança pública nacional, defensores dos direitos humanos amados e odiados, alunos contra professores, e o sincretismo religioso substituído pela ‘ojeriza à fé alheia’.


Obviamente, a própria construção histórica heterogênea  já evidencia esta genética multifacetada e, muitas vezes, divergente. A distribuição demográfica de um país continental é outro fator preponderante. O corte histórico de colônia, passando pelo império e desaguando na república, esta última desestabilizada tantas vezes pela influência externa nos mais variados campos, corrobora ainda para este desentendimento generalizado.


O fato é que a Pátria brasileira não possui uma face definida, nem tradição consistente para sustentá-la. O povo não sente a necessidade da soberania nacional como prioridade, a começar pelos subjugados (econômico e intelectualmente) líderes políticos, eivados, mais do que nunca, da peçonhenta e imponente corrupção.


A educação não foi suficiente, a moral ruiu, a cultura pegou fogo, as religiões se secularizaram e a modernidade líquida encontrou um Brasil desesperançoso, amedrontado, voltando à velha máxima do ‘olho por olho, dente por dente’, porque ninguém está livre de uma facada encolerizada, nem de uma bala perdida ou de um político corrupto.

Talvez até consigam fazer uma sutura na nossa sociedade, mas ninguém garante que a infecção generalizada não continuará nos matando internamente.


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