Inocêncio Nóbrega

Inocêncio Nóbrega

Jornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

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Publicado em 01/11/2018 10h20
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Outubro de Rosa

         Outubro foi padrasto para a presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber. Recebendo, por herança, um acumulado de erros jurídicos, o mais emblemático deles a condenação de Lula, consumada com sua prisão em abril, seguido de parcialidades de outros atos jurídicos, na verdade deixa  órfã a democracia brasileira, a qual luta para sobreviver. Tendenciosos no julgamento de processos, com pareceres ajustados a decisões adredemente combinadas, desrespeitando protocolos internacionais assinados pelo Brasil,  natural é que perca sua credibilidade, captando chacotas de setores da sociedade, certamente interessados no seu desmanche.

A tímida reação a críticas que lhe são formuladas, por grupos partidários ligados à elite nacional, pouca conta faz em relação a denúncias de fraudes no processo eleitoral, como a intensa divulgação de notícias falsas, os chamados fake news, disseminada pelos apoiadores de Jair Bolsonaro, legalmente vedada. Já não se respeitando a ética, pois tal prática delituosa não é coibida, que legitimidade terão este e futuros pleitos, em quaisquer instâncias e fases? Nestas circunstâncias, nada restará fazer a chapa  perdedora, além de lamentar o falso veredicto das urnas, ante a possível denegação de possíveis recursos impetrados, a qualquer Alçada Judicial. Compreender-se-á que o agente das leis não se preocupa com os destinos e honradez da nação.

A presença de missões estrangeiras,  para acompanhamento da votação, é mais um ato midiático que de preservação democrática. A OEA, órgão comprometido com a geopolítica norte-americana, quando solicitada, faz esse tipo de observação. No momento, a ex-pres. de Costa Rica, Laura Chinchilia, chefia um grupo de 48 especialistas,  de várias nacionalidades, distribuído em 11 estados, e mais o DF, de olho na votação do 2º turno. Malgrado sua experiência, eis que teve idêntica atuação no México,  Venezuela e EUA, erroneamente considerada de esquerda  pelos adversários de Haddad, chegou atrasada. Sua presença se fazia necessária em outras fases do processo eleitoral, quando do injusto barramento da postulação de Lula. Assistir, pura e simplesmente, aos atos eletrônicos de votar, sem que testemunhasse os desvios, também através dessa tecnologia, das livres consciências, comprometendo a lisura dos resultados, incluindo-os no seu relatório, nos parece hipocrisia.

Esta eleição tem a cara de Júlio Prestes, o preferido por Washington Luiz, para o Catete. Certo que a morte de João Pessoa influenciou na histórica resistência de 1930, movimento armado que agiu o que o TSE deveria haver feito, agora, removendo toda contaminação ilegal existente. Sua passividade será sentida pela história.

Jornalista
inocnf@gmail.com

   
    


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