Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga

Juiz de Direito, Escritor, grande admirador das obras de Luiz Gonzaga, nascido na cidade de Pombal (PB), mora e exerce o cargo de Juiz de Direito atualmente na capital João Pessoa.

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Publicado em 06/11/2018 10h00
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Esperando a chuva

A estiagem há tempo que faz morada no imenso sertão nordestino. Ela impiedosamente seduz o sol para bem perto chão, bebendo a água de açudes e barragens. Parece que tem um sol para cada ser vivente desse mundo sertanejo.

Neste 2018 após o período de chuva, que sempre ocorre no início do ano, o sertão após a chegada dos “Bros”, ou seja, setembro, outubro, novembro e dezembro, é invadido novamente pela causticante seca. Já é enorme a preocupação com o abastecimento d’água, pois o céu azul, sem qualquer presença de nuvens impõe ao sertão as dores e sofrimentos ante a estiagem que tanto maltrata.

O calor intenso devora a açudagem e as plantações, e como uma lâmina escaldante espalha vestígios que esmorecem a esperança, transformando o verde num tempo de cinzentos olhares incrédulos. São anos e anos, dias e noites, onde com o terço na mão o sertanejo clama por chuva para espantar o incandescente sol e o vento cortante da inclemente aridez.

Sem chuva, com fome e sede, o sertanejo da rede balança o desânimo. Menino chora, mulher reclama e um cachorro de olhar piedoso dorme debaixo da mesa. Da janela, se ver uma vaca esquelética a espera da morte chegar. Tempo de miséria, de tristeza, mas acima de tudo de um povo que nunca esmorece e, com sua fé inquebrantável, de joelho sobre o chão, reza com a certeza de que do céu a água cairá, molhando o terreiro, fazendo as correntezas musicar dias melhores.

Quero chuva, quero meu sertão com o verde das lavouras, dos pastos e do sorriso no rosto de cada sertanejo. Quero chuva com relâmpagos rasgando os céus, acompanhados dos trovões. Quero chuva para ver o caboclo no amanhecer de enxada na mão sair para espalhar as sementes de um novo tempo. Que Deus nos ouça e mande chuva e fartura para o nosso Nordeste!

 


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