J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 16/11/2018 13h53
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Educação no Brasil: aonde ela nos trouxe e para onde a levaremos

O momento é de mudança clara e necessária nas estruturas da sociedade brasileira. Com mais de 13 milhões de desempregados, imerso numa crise que se arrasta há anos, estancado numa crise que vai além da econômica, perpassando principalmente pelas crises moral, ética e, até, cultural. Nada mais dialético ou, como diria Zygmunt Bauman, líquido, do que o contexto atual nacional.


A educação brasileira, em tempos longínquos restrita às classes dominantes, econômica e política, pautada em modelos importados da Europa, passou por uma série de transformações no século XX, porém, mesmo ‘parcialmente universalizada’, não perdeu sua ‘predileção’ pela formação dos mais influentes na sociedade.


Desde a implementação do formato católico, em nossa colonização, passando pelas influências pós-guerras mundiais, sendo guiados pelos faróis ideológicos de grandes nomes como Piaget, Vigotsk, Paulo Freire, dentre outros, a nação brasileira se depara, na atualidade, com uma média de 30% de analfabetos funcionais, uma desvalorização calamitosa dos profissionais da educação, somados ao ceticismo dos que deveriam ser protagonistas do sistema, principalmente professores e alunos


Em qualquer roda de professores, sobretudo das redes públicas e no ensino básico, você se deparará com um discurso quase uníssono: déficit salarial, falha na educação doméstica – aquele senso de convívio, respeito e disciplina internalizados na criação do lar -, falta de estrutura física, falta de perspectiva e motivação dos alunos para aspirarem ao êxito via xxxxx, problemas psicológicos já nos primeiros anos de infância, dentre eles a ansiedade, a depressão, o bullyng e suas conseqüências, dentre outros gargalos.


Principalmente após a redemocratização, a necessidade do país se desenvolver e ‘correr atrás do leite derramado’ historicamente, criou fórmulas e programas que tentaram avançar seus tentáculos nos mais longínquos espaços aonde carecesse da intervenção educacional – e não eram poucos -. Nos últimos vinte anos, o Brasil passou por uma ampliação e estruturação do Ensino Superior sem precedentes, oportunizou aqueles que não tiveram como abraçar os estudos na idade certa através da Alfabetização de Jovens e Adultos, criou parâmetros para atingir metas internacionais no âmbito da educação e implementou uma série de estratégias como o PDDE, a ampliação da oferta de transporte escolar gratuito, a melhoria da merenda escolar e outras.


Como em quase toda política pública, nem sempre as leis e a destinação de recursos no Brasil funcionam da forma que deveria. Muito dinheiro público foi jogado pelo ralo da corrupção ou da má gestão em vez de fomentarem a educação como deveria. Medidas, estratégias e deslizes que dariam pauta para diversas dissertações.
Sendo assim, vamos à atualidade...


Pede passagem a nova BNCC (Base Nacional Comum curricular) que norteia os destinos e a regulamentação da educação no Brasil, com uma série de competências e objetivos. A meu ver, mesmo contestada por muita gente, que, aliás, manifestaram-se apenas quando pouco havia a fazer, é uma espécie de sincretismo ideológico documentado, como um corpo com várias almas tentando se unificarem para habitá-lo.


Ecoa forte, ainda, em Brasília, a ideia confusa da ESCOLA SEM PARTIDO, que, presumo, não deve ter sido construída por nenhum pedagogo ou especialista na área da educação em sã consciência.


Desse ponto, emito, sinteticamente, a minha humilde opinião a respeito dos grandes desafios educacionais doravante. Baseado na análise empírica, mas com conhecimento de causa de quem trabalha na área, somada à observação de diversas estratégias exitosas no Brasil e no mundo.


Não há como desconsiderar a força da informática no contexto atual e sua interferência direta no cotidiano de qualquer brasileiro, inclusive daqueles que não têm acesso aos meios tecnológicos. Ao invés de concorrer com o smartphone que está na mão do estudante, o educador precisa tê-lo como mais um instrumento que auxiliará no desenvolvimento cognitivo do mesmo. Está aí uma necessidade básica a ser aplicada nas licenciaturas de hoje em diante: a capacitação técnica para o professor estar inserido habilmente no mundo digital. Em países como Portugal, é disciplina curricular a habilidade com os meios digitais para os estudantes, já no ensino de base.


Não é possível prescindir da valorização do profissional da educação, porém, é necessária uma contrapartida maior do educador em termos de formação continuada, que já existe, mas que poderia ser muito mais efetiva se fossem criadas estruturas. Além do mais, neste plano de valorização também deve ser incluso um requisito básico, partindo já da educação infantil: apenas mestres, sujeitos a exames de suficiência, podem lecionar com propriedade, para não comprometerem uma base e tentarem, de forma quixotesca, corrigir o estudante no ensino superior.


É necessário ainda dar credibilidade e fé de ofício aos docentes para não se transformarem em vítimas indefesas de alguns menores, e até adultos, que realmente chegam à escola tendo uma formação familiar e social pautada na ameaça, no desrespeito e na violência.


É imprescindível também a inserção obrigatória de formação musical na grade curricular, do estudo da moral e do civismo já no ensino fundamental – sem cunho doutrinal -, a otimização da educação física para trabalhar a sociabilidade e a introdução do aluno no meio social competitivo e, ao mesmo tempo, colaborativo.
A criticidade, a responsabilidade, o respeito e, principalmente, o protagonismo do estudante são fundamentais para o seu desenvolvimento. Portanto, toda e qualquer disciplina deverá ser permeada por tais competências.


O contexto líquido em que vivemos nos leva a cogitarmos as profissões do futuro que, não necessariamente passarão pelos bancos da faculdade; algo que exige ainda mais uma base firme do ser nas séries iniciais. Lembrando que, surgindo as profissões do futuro, algumas ficarão no passado e talvez o professor esteja na iminência de se tornar totalmente ultrapassado no seu modelo atual, o que exige sua adaptação constante e resignificação da sua docência.


Há nuvens escuras adiante, que podem nos reservar chuva fina propícia para a plantação das sementes educacionais ou tempestades de tecnologias e inculturações que nos arranque a possibilidade de sermos formadores de opiniões e guias de todas as profissões.


Sem dúvida, a história nos reserva caminhos que nem prevemos, da mesma forma que há necessidade de um tempo de maturação para sabermos quais das nossas convicções fizeram bem, quais fizeram mal e quais foram descartadas pela sua irrelevância.


Para onde queremos ir? Talvez não seja essa a pergunta; as mais pertinentes no momento são: Para onde estão nos levando? Qual o espaço reservado para a pesquisa científica lá neste lugar? Quem poderá ser inserido nessa nova realidade? O que diferenciará o profissional de uma máquina? Como nos livraremos da manipulação econômica e política no futuro?

 


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