J.G Fernandes

J.G Fernandes

José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“

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Publicado em 24/11/2018 13h32
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Sobre o Programa Mais Médicos

às vezes o problema do Brasil são exatamente alguns brasileiros

Refiro-me a uma grande parte dos médicos brasileiros, àqueles que se acham membros pertencentes a uma casta superior que não pode, sequer, tocar os pobres.

Questões político partidárias e diplomáticas à parte, lembro que o desembarque dos médicos cubanos no Brasil se deu pela negação dos próprios médicos brasileiros em atenderem nos mais longínquos e ‘hostis’ lugares de sua nação.


Como o próprio Ministério da Saúde informa, não faltam médicos no Brasil, obviamente, mas falta humanidade, disposição para trabalhar na rede pública, direcionamento das políticas públicas para dar condições ao profissional de trabalharem em locais mais distantes dos grandes centros.


Quando fui Gestor de Saúde de um município pequeno, situado a apenas 120 km da capital do estado, cansei de ser vítima da prepotência de médicos que ameaçavam partir a qualquer momento, porque não tinham estudado para estar no interior. Sabendo eles que um município pequeno não tem como competir com os grandes centros. Além do mais, quando um município passa mais de três meses sem um médico na unidade de saúde, todo o recurso, já pequeno, da equipe deixa de ser creditado, ou seja, enfermeiros, técnicos, agentes de saúde e demais profissionais deixam de receber por isso.


Quem, na saúde pública, nunca foi atendido por um presunçoso cidadão que, na maioria das vezes, nem espera você dizer o que sente para prescrever qualquer medicamento?

Qual município pequeno nunca teve que se encaixar na agenda de um ‘doutor’ que insiste que não pode trabalhar os cinco dias da semana numa unidade de saúde, como se fosse melhor do que os demais da equipe?


Sem dúvida, quem estuda, trabalha onde quer, mas em um país desigual como o Brasil, é dever do Ministério da Saúde criar uma sistemática que não permita desassistir a população de médicos. Portanto, antes de reclamar dos médicos de cuba, descubram a realidade do que os levou a virem para cá.


Não podemos fingir que o problema está apenas nos outros, no sistema político do país que enviou os médicos, no vínculo empregatício dos outros, ou em quem contratou os profissionais aqui no Brasil. Precisamos mesmo nos revoltar contra a hipocrisia e a falta de humanidade de alguns profissionais.


Desejo que o novo governo priorize a saúde de alguma forma e que não deixem  o ‘pau quebrar nas costas dos mais pobres’ no caso da saúde também, pois a salvadora reforma da previdência, na mesma linha, modifica o sistema para piorar apenas as condições da classe mais humilde do nosso país.

 


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