Renato Caldas

Renato Caldas

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Publicado em 25/05/2013 10h13
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Refletindo sobre a arte de envelhecer

Saber envelhecer – esta é a obra prima da sabedoria e um dos capítulos mais difíceis da arte de viver, assim diz  Fréderic  Amiel. Precisamos, pois, aprender uma boa maneira de envelhecer.


Quem aprende a arte de envelhecer, torna-a conhecida também aos demais. Ele não envelhece bem para si mesmo, mas anuncia também aos outros, com sua vida, uma boa nova, a boa notícia da sabedoria da velhice. Jamais aprendemos a arte de envelhecer para nós mesmos, mas sempre para os demais. Com nossa vida, mostramos-lhes algo que enriquece a própria .


A natureza nos ensina também, a envelhecer bem. O outono simboliza a velhice. A colheita é feita no outono. A velhice mostra a colheita da vida. Agradecidos, devemos contemplar os frutos que a vida produziu.


Envelhece bem quem se torna ameno não somente em sua capacidade de julgamento, mas na totalidade de seu ser. Ao mesmo tempo descobrirá que interiormente, sua vida torna-se mais rica, mais colorida, de modo geral tão luminosa quanto um dourado mês de outubro.


Quem se atém á sua idade permanece vigoroso. Anselm Grun enfoca que aquele que medita na Lei do Senhor, que se dedica á tarefa da idade e reserva tempo para o silêncio e para a meditação, permanece vigoroso.


O general americano Mc Arthur, no ano de 1945, dizia: “A gente não envelhece porque viveu determinado número de anos; a gente envelhece porque desistiu de um ideal. Os anos deixam a pele enrugada; renunciar ao ideal envelhece a alma”.


Necessitamos rejuvenescer. Rejuvenescer significa, antes, permanecer jovem interiormente, recordar-se  sempre da  fonte interior que jorra na gente. A fonte interior, no fim das contas, a fonte do Espírito Santo, brota constantemente em nós. Quem não rejuvenesce, enrijece-se. Endurece-se interiormente.


Por um lado, com a velhice, finalizamos uma fase ativa. Para muitos outros, trata-se de uma suave passagem de um modo de ser ativo para um modo de ser mais contemplativo.


Precisamos ter um saber que pode reconhecer o verdadeiro ser das coisas, atravessando a superficialidade.


A colocação em prática da nossa interioridade é importante para o nosso amadurecimento e a nossa auto realização.


A busca do conhecimento é uma força vital transcendente, quase se pode dizer, espiritual. Ela tem uma característica de força motora.


Ela o impulsiona intelectualmente e, até certo ponto, fisiologicamente. O cérebro influencia o corpo de maneira  que desconhecemos.


No seu livro A Arte de Envelhecer, Sherwin B.Nuland  aborda a respeito da doação, especialmente a doação de aptidões da pessoa aos outros. Os dividendos de uma vida assim resultam em uma consciência de tudo o que representamos para aqueles que se beneficiam do nosso tempo nesta Terra.


Os dividendos de uma vida  assim resultam em uma consciência de ser, em troca, apreciado e até tratado com carinho. E isso é uma forma de amor, que é o maior de todos os dividendos.


      Na Arte de Envelhecer, a Sabedoria, a Serenidade e o Zelo, são princípios para todas as Idades.


Com o próprio envelhecimento, a obtenção da sabedoria é uma etapa do desenvolvimento contínuo, cujo grau de sucesso depende de cada estágio que o precedeu.


A Sabedoria que buscamos com a idade não é algo que surja sem esforço, nem é consolo imerecido para a passagem dos anos antes o resultado da reflexão.

À medida que envelhecemos, amplia-se uma valorização da apreciação sem pressa e da consideração cuidadosa das consequências em longo prazo.

Se o cérebro que envelhece for bem usado, o conhecimento aumenta, assim como a inclinação e a oportunidade para integrá-lo no pensamento reflexivo.

E tampouco há sabedoria sem a reavaliação constante de nós mesmos, a reconsideração constante de tudo o que temos sido, tudo o que somos e tudo o que podemos ser, independente da idade. Faltando isso, falta a sabedoria.

Nos Diálogos de Platão, lemos: “Pois eu certamente sustentaria que o autoconhecimento é a própria essência do conhecimento e nisto eu concordo com quem consagrou inscrição  ‘Conhece-te ti mesmo’ em Delfos. “Conhecer a si mesmo é reconhecer e admitir inseguranças, medos, preconceitos, ambição, competitividade e  esperanças também.

Não causa surpresa que seja Platão a ter a  última  palavra, lembrando-nos  uma vez  mais que  “A vida sem ser examinada não vale a pena ser vivida”.

Professor e Escritor
Lins,rc@hotmail.com
    
    
    
    
    
    

    
    

    


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