Carlos André Cavalcanti

Carlos André Cavalcanti

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Publicado em 09/08/2013 09h00
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A crua realidade das religiões no Brasil

 

Analisar as religiões no Brasil é um desafio. O país ainda vem patinando na busca de um modelo de análise capaz de inspirar suficientemente as políticas públicas, inclusive de Diversidade Religiosa e combate à Intolerância Religiosa. Tenho feito um esforço para sistematizar as informações sobre o assunto na circunstância do curso O Imaginário Rosacruz, AMORC, na UFPB. Dos dados do Censo do IBGE 2010 e do estudo da Sociologia das Religiões, retiro algumas impressões.
Deste esforço, cheguei a algumas conclusões a respeito e reproduzo-as aqui. Destaco que não são opiniões, mas constatações:

• O Cristianismo, ao contrário do que muitos pensam, é a religião que realmente cresce com a Liberdade Religiosa no Brasil, mas o Catolicismo está, provavelmente, estagnado;

• A Diversidade Religiosa vem diminuindo no Brasil;

• As Igrejas empresariadas e/ou concorrenciais estão em ascensão;

• Igrejas tradicionais, “transcendentais”, mais ritualísticas e mais complexas, decaem....;

• A nova adesão religiosa está utilitária, pragmática e materialista, longe do pós-morte. Muitos aderem em função de projetos pessoais imediatos;

• A nova adesão é de CLIENTES, que não aceitam muitas exigências morais imediatas, pois preocupam-se com a vida material e reduzem a importância da ética e dos “valores tradicionais” em suas vidas;

• Uma experiência religiosa hedonista ou corporal vem crescendo: transes, êxtases,....;

• O Campo Religioso está ativado e em crescimento pelo aumento da oferta através marketing para os produtos religiosos e nos Meios de Comunicação de Massa;

• Pesquisas de consumo religioso norteiam empresários da fé travestidos de clérigos;

• Não foi o povo que ficou “mais religioso”, mas os profissionais da religião que atuaram melhor no vazio civilizacional;

• A Nova Experiência Religiosa é o reino da presentificação e dos pedidos “livres” e imediatistas. Alguns deles, amorais;

• As religiões tradicionais traziam valores a serem internalizados, isto foi transformado num valor único: o Louvor a um Deus abstrato e superpoderoso ao qual se deve louvar. Tudo é Ele. As cobranças sobre o indivíduo diminuíram para favorecer o crescimento do mercado religioso. Isto consolida e facilita a adesão.

• O sincrettismo/hibridismo brasileiro vem sendo abalado fortemente pela “religião exclusiva”, que se tornou sinônimo de modernização da vida, afirmação da individualidade, orgulho pessoal diante do vizinho, do parente ou do colega.... A religião ficou “pop”!
 


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