Carlos André Cavalcanti

Carlos André Cavalcanti

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Publicado em 11/11/2013 10h33
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O Santa Cruz na Série B do Brasileirão

Sou torcedor coral com muito orgulho! Neste momento, vejo o Santinha nas rodas de conversa menos prováveis. Até um grupo de alunas e alunos jovens do CCHLA da UFPB esteve debatendo abertamente, em plena Praça da Alegria, a capacidade de “renascer das cinzas” que o tricolor pernambucano tem demonstrado.

O debate procede. Entrei nele contando um pouco da impressionante história do nosso Clube do Povo. Os estudantes não conheciam. Eles viram que o Santa Cruz foi da primeira à quarta divisão numa carrada só, mas não sabiam nada além disso.

A rigor, o time jamais caiu para a Série D, pois quando a problemática e questionável CBF criou esta Série, o índice técnico de apenas alguns meses de terceirona foi usado e o Santa foi arrebatado para baixo pelos cartolas sudestinos. Porém, o que valeu para os olhos de todos e para o cotidiano do tricolor foi a trajetória prática que ficou.

Uma vez na Série D, o time pernambucano enfrentou alguns dos seus piores momentos em seus quase cem anos de história. Até no campeonato estadual ele esteve ameaçado de rebaixamento para a segunda divisão. Os mais diversos problemas surgiram com uma força ainda maior: dívidas imensas, oficiais de justiça às portas, cortes de fornecimentos (energia do nosso estádio – o Arrudão –, alimentos para o elenco, etc.) e, principalmente, muita tristeza. O Mundão do Arruda estava irreconhecível. Certa vez, entrei pelo gramado para acompanhar um treino, fui ao banco de reservas e encontrei jogadores duvidando do Clube: tive que explicar a um atleta de fora de Pernambuco que o Santa era grande, ainda que ele – o tal atleta –  não conseguisse percebê-lo por total desconhecimento. Foram anos duríssimos!


Em 2011 o cenário começou a mudar: contra todos os prognósticos, com uma folha de pagamentos irrisória diante dos ricos – e antigamente racistas! – rivais Sport Recife e Náutico, o Santa ganhou o Pernambucano. Era o primeiro dos atuais três títulos estaduais. Sair da Série D num campeonato caótico e desorganizado foi a conquista seguinte. Aos poucos, fomos respirando até o atual acesso à Série B.


Todo este processo histórico merece uma informação imprescindível para compreender a dura história do nosso Clube: o Santa nasceu pobre e negro, representante dos excluídos da Cidade do Recife. Foi fundado nas cercanias da Igreja de Santa Cruz, onde alguns garotos ousados treinavam para jogar o aristocrático foot-baal, cujo representante maior na capital antes do surgimento do Santa tinha e tem até hoje o próprio nome em inglês. Este punhado de garotos sonhadores criou um canal de expressão social que é, até hoje, um dos principais movimentos questionadores das difíceis e injustas relações de classe no Recife. Em 1914, isso significava canalizar as insatisfações sociais que abalaram o Recife ao longo de quase todo o século XIX para o campo da bola e das diferenças esportivas.


Ano que vem esta história fará 100 anos! Fica aqui a minha homenagem singela a todos que fizeram e fazem o Santa Cruz, como diz o nosso hino, “juntar mais esta vitória ao teu passado de glória”, mesmo contra todos os prognósticos....!!!!!!!


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