Des. José Di Lorenzo Serpa

Des. José Di Lorenzo Serpa

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Publicado em 21/11/2013 11h51
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Cansaço

  Eu não escrevo com lapsos de cansaço. Escrevo com lápis tinta mesmo. Isto porque o lápis se adapta à mão e vamos deslizando no papel uma sequência de palavras, frases ou períodos, onde depositamos nossos pensamentos ou ideias.

  Pensamentos positivos ou negativos, mas que sejam pensamentos. E quando se diz tratar-se de um lápis tinta, significa que ela, a tinta, vai nos dar a preferência da  cor, podendo ser azul, nas suas modalidades, poderá ser preta ou vermelha, mas a tinta vem expressar na grafia a preferência da cor.

  Eu não escrevo com lapsos de cansaço, repito. Eu sou o próprio cansaço. Um cansaço que vem de longe, penetra nas retinas cansadas das repetições das manchetes, ora sobre as secas, ora sobre o excesso de chuvas, e em ambos os casos prejudicando a todos.

  Venha de onde vier, mas ele vem, ele, o cansaço, surge inesperadamente sobre nós, como se estivéssemos passivos diante dos novos fatos a se repetirem. O cancioneiro tem suas razões  ao dizer que tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu e ela, a canção, nos diz com  exata precisão.

  Falo assim para dizer que uns se vão e outros ficam, como se a vida fosse um eterno vai e vem. Na verdade, o ato de partir, via de regra, deixa para traz a saudade como referencial que nos faz tentar desistir da partida.

  Claro que encontramos partidas alegres, prontas para se receber um prêmio, uma condecoração, outras, ao contrário, e fico a imaginar a partida dos pracinhas para a guerra.

  O mundo dá suas voltas, e vai e vem, e nestas idas e vindas há de acontecer  tudo ou nada. Temas dessa natureza nos leva a um pessimismo que devemos evitá-lo, e não contaminar o leitor ávido de notícias boas. Ocorre que o noticiário escrito ou televisionado ao nosso ver, e com todo respeito, se repete ha tempos e por isso nos cansa.

  Casas desabrigadas, a fome do nordeste, tudo se repetindo e nos cansando.

  Sobre a violência armada dispensável o comentário, pois eles, os violentos, ainda não se cansaram e as cenas se repetem numa rapidez incrível. As pessoas se cansam, ou melhor, se estressam. Não encontram saída para o cansaço, individual ou coletivo, que,  atingindo de frente a todos, se voltam para o passado, invocando Nora Ney, do tempo dos cantores do  rádio: “cansaço da vida, cansaço de mim”.
 

Des. José Di Lorenzo Serpa
gdls@tjpb.jus.br


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