Renato Caldas

Renato Caldas

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Publicado em 23/11/2013 12h55
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O Autoconhecimento

O autoconhecimento, segundo a psicologia, significa o conhecimento de um indivíduo sobre si mesmo. A prática de se conhecer melhor faz com que uma pessoa tenha controle sobre suas emoções, independente de serem positivas ou não. Tal controle emocional provocado pelo autoconhecimento pode evitar sentimentos de baixa autoestima, inquietude, frustração, ansiedade, instabilidade emocional e outros, atuando como importante exercício de bem-estar e ocasionando resoluções produtivas e conscientes acerca de seus variados problemas.

     Processo de autoconhecimento exige perseverança e paciência. É um exercício lento e ás vezes doloroso. Quanto mais aprender a identificar as causas de seus sentimentos negativos, maior facilidade terá de lidar com elas.


A adesão ao autoconhecimento depende de cada um de nós, uma vez que este processo é individual e vai envolver a vontade de cada um  em procurar mudar de comportamento, visando um novo sentido de vida.


     Esta visão abrange uma mudança espiritual, intelectual, racional, sentimental, psicológica, enfim, passo a passo, querer mudar e vislumbrar  novos horizontes que   modifiquem  o nosso ego em   direção a um eu.


A busca por novas inteligências, possibilita a que cheguemos no caminho  em direção ao autoconhecimento.


Somos seres individuais, e por isso, cabe-nos o despertar e a decisão de nos inserirmos na grande aventura, que é o autoconhecimento.


A leitura apresenta-se como um indicativo importante para que possamos mudar a nossa mente, o nosso comportamento. Pouco se lê, pouco se reflete. Aí está a Bíblia, os livros espirituais e de outros temas à nossa espera, prontos a nos descortinar um novo mundo, a levar-nos para outras visões, tirando-nos da superficialidade desse mundo, para as asas de um novo sentido de vida, para  uma nova vida, dinâmica, nunca estática.


A capacidade da oração de nos conduzir ao autoconhecimento mais profundo tem sua raiz no fato de que nos confronta com uma pessoa, com Deus.


Oração não é monólogo, auto-espelhamento, mas conversa, encontro com uma pessoa independente de mim. Isso me permite assumir um ponto de vista fora de mim a partir do qual me percebo de modo mais abrangente e objetivo do que seria possível se somente girasse em torno de mim, em simples auto-observação, e não consigo me distanciar de mim. A pessoa que olha somente para si é cega para muitos lados do seu ser. Mas quando olho para Deus e não para mim na oração, posso olhar para mim, a partir do ponto de vista de Deus e me reconhecer muito melhor á luz do Senhor.


Em um edifício que morei, um exemplo me quedava a visão. O funcionário  que ficava na garagem à noite, sempre estava a  ler livros, num exemplo claro de que procurava crescer no conhecimento. No que moro atualmente, igualmente, outro funcionário sempre está lendo um livro, de óculos, compenetrado, num claro exemplo até para os moradores do prédio, de que precisamos ler. Outro exemplo a citar, o jogador do Flamengo, Walace, que lê ininterruptamente, e ultimamente leu 40 livros.


A inteligência espiritual nos faculta para adentrarmo-nos por um caminho que conduz ao autoconhecimento. Neste ponto convergem a inteligência intrapessoal e a espiritual.
O desenvolvimento da inteligência intrapessoal é fundamental para elaborar, mesmo que de maneira provisória, uma resposta á pergunta pela identidade pessoal.
Cultivar a inteligência intrapessoal é absolutamente necessário à vida.


Os grandes mestres da história da humanidade, desde Sócrates até Confúcio, reiteraram até a exaustão que o primeiro objetivo da educação é o conhecimento de si mesmo. Além de estimular as outras formas de inteligência ,dever-se-ia exercitar, ao máximo, a inteligência  intrapessoal, uma vez que somente quem conhece a si mesmo pode realizar seus projetos e aspirar a uma vida feliz.


A reflexão em torno do eu, a introspecção pessoal que desenvolve esta forma de inteligência  não resolve todas as perguntas e inquietudes  que emanam da identidade pessoal. O cultivo da inteligência intrapessoal abre as portas á inteligência espiritual. Quando alguém contempla a si mesmo e se pergunta pelo sentido de sua existência, por aquilo que dá sentido e significado a ela, está cultivando  a inteligência espiritual.


Uma coisa é responder á pergunta “quem sou eu?”, e outra coisa muito distinta é enfrentar a questão da finalidade de sua  existência.


Ambas estão intimamente relacionadas; por isso, o desenvolvimento da vida intrapessoal abre a porta da inteligência espiritual, no entanto ambas não devem confundir-se, posto que as funções da inteligência espiritual  não se reduzem ao marco do eu, da análise de si mesmo.


A inteligência espiritual possibilita dois movimentos no ser humano: o despertar e a abertura. Graças a ela dou-me conta de que não somente sou e não somente vivo, mas sei de meu ser e de minha vida. Tudo isso é uma só e mesma coisa. Graças á inteligência espiritual somos capazes de olhar o mundo como algo separado. O conhecimento sobre si mesmo é abertura para dentro, enquanto o conhecimento das coisas é abertura para fora.


Quando uma pessoa cultiva a inteligência espiritual, tem capacidade para distinguir a personagem do ser, a representação da essência. Então pode chegar a desprender-se do que alguns autores denominam por ego e abrir-se para a dimensão transcendente chamada self.Klass  afirma que a experiência de transcender acontece quando deixamos de ser uma individualidade e adquirimos   consciência   da realidade  que nos supera.


No ser humano habita um eu consciente de si mesmo e capaz de contemplar o mundo, um eu livre que, em virtude de sua liberdade, pode configurar tanto o seu corpo como sua alma.


A existência do ser humano é aberta para o interior, é uma existência aberta para si mesma, mas é também aberta para fora. A inteligência espiritual nos habilita a adentrar-nos, em processo sem fim ,em nosso universo, porém, ao mesmo tempo, abre a possibilidade de nos interrogarmos pelo extenso universo e por seu sentido último.


Max Scheler afirma que o ser humano – enquanto pessoa – é o único que pode elevar-se acima de si mesmo—como ser vivo, e partindo de um centro situado, por assim dizer, para além do mundo tempo-espacial, transformar todas as coisas e, entre elas, também a si mesmo, em objeto de seu conhecimento.

Renato Caldas Lins
Escritor e Poeta
Lins.rc@hotmail.com
 


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