Chile de Pablo Neruda

O Chile sempre foi um país que me encantou. Pela sua história, cultura, organização e pelas belas paisagens: as praias, montanhas e os seus bosques tão bem descritos por Pablo Neruda, nas suas memórias: “Quem não conhece o bosque chileno não conhece este planeta. Daquelas terras, daquele barro, daquele silêncio, eu saí a andar, a cantar pelo mundo”.

Estive neste país maravilhoso por duas vezes, sempre a trabalho. Na primeira vez participei de um Congresso Internacional, na cidade de Santiago, organizado pelo Centro de Energia Nuclear. A segunda oportunidade foi retornando de um evento dos Estados Unidos para o Brasil, fiz uma parada no Chile para participar de uma reunião.

Nas duas oportunidades, apesar dos excelentes resultados de trabalho e a boa acolhida por parte dos chilenos, retornei com um sentimento de estar faltando algo. Queria ter aproveitado a minha estada, naquele país, para conhecer a casa do grande poeta chileno, Pablo Neruda. Sentir a sua presença nos diferentes cômodos e lugares. Conhecer aquele espaço que tanto inspirou esse homem que encantou o mundo com suas poesias, além de ser um ativista político com tanto desejo de justiça social.

Homem de grandes gestos. Em 1970, renunciou sua candidatura à presidência do Chile para favorecer Allende, que venceu as eleições, e a homenagem que ele fez ao líder comunista brasileiro, Luís Carlos Prestes, o cavaleiro da esperança.

Pablo Neruda era um homem de seu tempo e além dele. Viveu intensamente a vida. Filho de um operário ferroviário e de uma professora primária, morta quando ele tinha apenas um mês de vida. Foi embaixador, senador e prêmio Nobel da literatura.

Ainda menino, eu tive o primeiro contato com Neruda através de sua obra. Entre os livros que meu pai, professor Luís Mendes, in memoria, tinha na sua biblioteca, fui atraído por um que me fez parar ali mesmo e começar a folhear. Era um livro de memorias: Confesso que vivi – de Pablo Neruda. Este livro foi um presente que ele recebeu da professora Terezinha Fialho. Guardo comigo, como lembrança, gratidão à professora Terezinha Fialho e como fonte inspiradora, através de um dos maiores poetas do nosso tempo.

Estou agora no Chile, desta vez de férias. Não poderia retornar ao Brasil pela terceira vez sem visitar a casa do nosso poeta. Ao adentrar a casa de Neruda fui tocado pela emoção e ao sair não esperei voltar ao hotel para escrever esses momentos. Ali mesmo, peguei meu computador e comecei a escrever, olhando aquela bela paisagem que tanto inspirou o poeta e suas paixões.

Foi ali, com certeza, que o nosso poeta concluiu que a poesia tem comunicação secreta com o sofrimento do homem. Trazendo do seu íntimo grandes sentimentos: “Nega-me o pão/ o ar/ a luz/ a primavera/ mas nunca o teu riso/ porque então morreria”.
Valeu a pena esperar, posso agora voltar do Chile de Pablo Neruda.

Luiz Renato de Araújo Pontes
Professor e pesquisador da UFPB professorluizrenato@gmail.com

Hilton Maia
Graduado em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), especialista em Direito Civil e Processual Civil pela CPC - Marcato, em parceria com a Universidade Dom Bosco, ex-funcionário da Caixa Econômica Federal (CEF), com larga experiência gerencial, participante de vários cursos de gestão ofertados pelo Programa Haward Mananger e é hoje o diretor jurídico do escritório Hilton Maia Advocacia & Consultoria, professor universitário, colunista jurídico e doutorando em Direito Civil na Universidade de Buenos Aires.

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