João Pessoa por que mudar?

Vez por outra surgem manifestações isoladas, provocadas por sentimentos pueris, sugerindo a mudança do nome da Capital do Estado. Já me detive nesse comentário em outras oportunidades.

Remexendo meus arquivos encontro um depoimento da Professora e Historiadora Carmem Coelho de Miranda Freire inserido numa revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano presente do meu amigo e Historiador José Octávio.

Nele a professora faz um relato sintético do Governo João Pessoa que durou, apenas, um ano e nove meses. Transcrevo informações desse período governamental colhidas na descrição da brilhante Historiadora.

De início evoca a situação caótica que João Pessoa encontrou o Estado ao assumir seu Governo.   Um Estado falido financeiramente situação agravada pelo fenômeno da seca.

O tesouro estadual só dispunha de quatrocentos e trinta e dois mil réis.

O Estado devia aos fornecedores cerca de hum mil e oitocentos contos de réis e de obrigações legais atrasadas, quatrocentos contos de réis.

Ao assumir, por medida de economia, demitiu vários funcionários e os readmitiu logo que o Estado equilibrou suas finanças conforme havia prometido.

Quitou todas as dívidas. Criou um sistema de arrecadação tributária proporcionando autonomia e independência ao comércio em relação a outros Estados, principalmente Pernambuco. Em pouco tempo depositou vultosa importância de mil e quinhentos contos de réis, no Banco do Brasil. A Paraíba passou a ser conhecida como “a Bélgica Brasileira”.

Fundou o Banco do Estado da Paraíba, criou o Banco Hipotecário, organizou o serviço de classificação do algodão.

Realizou várias obras como as pontes de Gurinhém, Batalha, Mulungu e as estradas de Oratório, Pilar e Itabaiana. Abriu a Avenida Epitácio Pessoa em direção ao mar, bem como a estrada para Gramame; remodelou o Jardim Público (atual Praça João Pessoa); reconstruiu a Praça Venâncio Neiva; construiu, com três andares, o Palácio da Secretaria (atual prédio do Comando Geral da Polícia Militar); remodelou o Lyceu Paraibano; reconstituiu o Quartel da Polícia Militar e viu o início da reforma da Praça Pedro Américo, que foi terminada após sua morte; alargou a Estrada do Carro, atual Barão do Triunfo; iniciou a construção do Paraíba Palace Hotel e o Pavilhão do Chá; iniciou a construção do Hospital de Isolamento, com dois pavimentos e instalou o Centro Educativo de Pindobal, para menores delinquentes, construiu mais de trezentos quilômetros de estrada de rodagem, cinco poços de abastecimento d’água e deu início as obras do Porto de Cabedelo.

Tudo isso em apenas um ano e nove meses de governo.

Somando-se a ação administrativa à componente política cuja ação projetou o Estado no cenário político nacional infere-se que a denominação do nome de João Pessoa para nossa capital não se deu gratuitamente.

No dia 04 de setembro de 1930, os deputados, Argemiro de Figueiredo, Generino Maciel, João José Maroja e João Maurício de Medeiros interpretando o sentimento popular aprovaram a Lei nº 700 denominando a Capital com o nome de João Pessoa.

Foi um gesto de reconhecimento, num contexto histórico excepcional, embasado em legítimas  razões.

Maurício Montenegro
Engenheiro civil com experiência na gestão de obras públicas e privadas, com familiaridade em planejamento estratégico. Ex-interventor do município de São Miguel de Taipu, ex-secretário de Obras da Prefeitura Municipal de João Pessoa, ex-diretor técnico da Companhia Estadual de Habitação (Cehap), coordenador da elaboração do Plano Diretor do Distrito Industrial de Caaporã, Coordenador da Carta Consulta para obtenção de crédito junto à Coordenação Andina de Fomento (CAF) para obtenção de empréstimo no valor de 100 milhões de dólares destinados à pavimentação e recuperação de rodovias do Estado da Paraíba.

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