República da Amazônia

Parte da Amazônia já era portuguesa, antes de descoberto o Brasil. Assim garantia o Tratado de Tordesilhas, que por não ser respeitado, pelo princípio do “uti  possidetis”, beneficiado Portugal que passou a ter os atuais contornos, alterados, apenas, no advento do século XX, em virtude da compra à Bolívia o território do Acre. Extensa área, algo em torno de 2,8 milhões de km2., 11% do território nacional.  De floresta equatorial, perdendo-se na imaginação; clima úmido e quente; 4 mil espécies de vegetais, de 1.800 aves, de 700 mamíferos e de 1.500 peixes.  Riqueza que nossos predecessores lusíadas receberam de bandeja da natureza

Embora bem-vinda a benesse, a qual só foi mantida pela bravura do povo luso, a enfrentar, belicamente ou não, a cobiça estrangeira.  Para tanto, teve de instalar, em pontos estratégicos, 5 a 6 Fortes, a fim de barrarem qualquer acesso ao Rio Amazonas. Seu desbravamento só seria tolerado às bandeiras paulistas, acompanhadas de espontâneos movimentos migratórios. Só admitiu sua entrega com a Independência do Brasil.

O Amazonas, ou capitania de São José do Rio Negro, continuava fiel às ordens portuguesas, ignorando, por conseguinte, as proclamações de D. Pedro, aceitando-as com reserva. Só através da notícia 7 de Setembro, bastante atrasada, a Câmara de Serpa se situa em Lugar da Barra (Manaus), procedendo-se o compromisso de fidelidade às novas instituições brasileiras.

Moradores prosseguiam, contudo, vacilantes, sendo obrigados manterem suas casas iluminadas, em regozijo ao acontecimento. Líderes, como Alberto Patroni e Batista Campos, não discordavam do posicionamento de seus conterrâneos, desconfiavam, sim da entrega de seus destinos a um governo de camarilha do Rio de Janeiro. A Cabanagem, nos traz essa afirmação.

Terras favorecidas a empresas do tipo Good Year, menosprezo por essa região, eis a política adotada pelo Império e República, até 1953, quando é lançado o Plano de Valorização da Amazônia. Outros, se lhe seguiram: Sudam, Finvam, Imazo, Polamazônia.  A plataforma de Alcântara, em 2003 fervilhava de norte-americanos, o que não é diferente, agora.  Desmatamento; descontrole de incêndios; ministro negligente; nativos desprotegidos; grilagem oficializada, pobreza incessante; investimentos retidos, em suma uma ingratidão para com nossos patrícios do Norte. Sua destruição, está oficializada.

Imagino, ao lerem sua história, verificariam o engodo a que foram submetidos seus governantes de outrora, que acreditaram na alternativa tomada. Hoje, devem pensar como aqueles, a República da Amazônia, impávida e soberana, poderia haver sido a solução encontrada.

Jornalista

inocnf@gmail.com

Inocêncio Nóbrega
Inocêncio Nóbrega Filho, nasceu no município de Soledade - PB. Economista, historiador e militante do Jornalismo, há mais de 50 anos. Ingressou na vida de escritor, com o lançamento em 1974, do livro Malhada das Areias Brancas., onde faz um levantamento histórico de sua terra natal. Sua mais recente obra é "Independência! No Grito e na Raça", onde faz uma retrospectiva da Independência do Brasil.

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