Dose política 

É complicado quando agentes políticos colocam interesses próprios à frente dos interesses da sociedade. Triste ver como isso é recorrente no Brasil, e vem de todos os lados. Em meio a uma pandemia, ainda somos obrigados a presenciar disputas ideológicas e políticas em torno das vacinas em estudo que podem imunizar a população contra o coronavírus. Às vezes, a impressão é que a imunização deixou de ser um assunto de medicina e saúde e tornou-se campo de embate.

 

Há, atualmente, quatro vacinas em estágio de testes no Brasil, algumas delas em estágio avançado. Cada uma com suas particularidades, evoluções próprias e parcerias com diferentes laboratórios. Recorrentemente, levanta-se suspeitas sobre uma ou outra, muitas vezes com informações falsas – as tão famosas fake news. Ao mesmo tempo, aproveita-se de qualquer informação divulgada sobre os testes para capitalizar politicamente, a exemplo dos casos de morte que ocorreram com a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

 

Fica o questionamento: qual o real motivo de uma “guerra” tão forte – e cada vez mais acirrada – em torno das vacinas? Não deveríamos, todos, torcer pelo seu bom desenvolvimento e sua disponibilização à população? Neste ponto, por vezes parece que ninguém se preocupa de fato com o povo, mas com os resultados que o uso ou descarte de determinado imunizante pode conferir a um plano político. Gasta-se muita energia com divergências, enquanto outras questões importantes que poderiam ser tratadas ficam em segundo plano – é importante lembrar que o país não parou, há problemas a serem resolvidos, uma economia a ser recuperada.

 

Em um país com mais de 170 mil mortos e mais de 6 milhões de infectados, urge que consigamos chegar, o mais rápido possível, desde que dentro de padrões mínimos de segurança e eficácia, chegar a um produto que possa frear o avanço da covid-19. Ao mesmo passo, é dever do agente público trabalhar em prol do bem comum: seja convalidando uma vacina comprovadamente eficaz, seja deixando de lado as que não se mostrarem boas opções.

 

É tempo de, realmente, firmar-se um grande pacto colaborativo, em todas as esferas do poder, para incentivar a ciência no Brasil e, com as parcerias de laboratórios internacionais, desenvolver e disponibilizar à população tantas vacinas quanto seja possível, depois dos testes adequados e comprovação de eficácia. E, ao povo, segue a regra do bom senso e respeito ao próximo, mantendo as medidas de segurança enquanto não há uma imunização. Somente juntos poderemos vencer essa batalha.

José Janguiê Bezerra Diniz
José Janguiê Bezerra Diniz nasceu no distrito de Santana dos Garrotes, na Paraíba. Sua trajetória de vida foi baseada na educação. Trabalhava de dia e estudava a noite. Prestou vestibular para Direito em 1983 e foi aprovado na UFPE. Em 1992, tornou-se, por concurso público, Juiz Federal do Trabalho do TRT 6ª Região. Nesta época, já havia se formado em Letras na Unicap e era professor na Faculdade de Direito de Olinda. Em 2003, criou, no Recife, a Faculdade Maurício de Nassau, mantida pelo Grupo Ser Educacional. Hoje, o Grupo é um dos maiores do Brasil, atendendo mais de 160 mil alunos em mais de 60 unidades distribuídas por todos os estados da Federação, contando com mais de 11 mil colaboradores. Janguiê Diniz já tem 21 livros publicados, entre eles sua autobiografia, intitulada “Transformando sonhos em realidade – a trajetória do ex-engraxate que chegou à lista da Forbes”, Fábrica de Vencedores – Aprendendo a Ser um Gigante, Passos para o Sucesso, A Arte de Empreender e Axiomas da Prosperidade.

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