Balduíno Lélis: uma fábrica de sonhos

Arqueólogo visionário e eterno cultor da natureza. Um cidadão do mundo.

Telúrico? Utopista? Nenhuma coisa nem outra. Classifico-o como um ecologista na verdadeira acepção da palavra, engajado na luta pela preservação da fauna e da flora do Cariri paraibano.

Conheci Balduíno (Lelis) na década de 70, na casa de minha sogra Maria Rosa Jacinto que gozava de sua intimidade.

Mesmo não tendo chance de falar, pois ele não dava trégua me encantei com aquela conversa prodigiosa que mais parecia uma cordilheira narrando suas experiências na selva amazônica comendo jabuti cozido no próprio casco.

Um sertanejo protagonista de uma rica história de vida como uma aquarela gigantesca pintada com pinceis mágicos.

Por conta de sua personalidade franciscana experimentou altos e baixos nas atividades que desempenhou.

Um empresário sem emprego e sem salários.

Seus passos são imprevisíveis ora como empresário exótico como o definiu Machado Bitencourt, ora convivendo em comunidades indígenas pesquisando fósseis milenares, ora dedicando-se à industrialização de medicamentos naturais, ora em atividades didáticas como fundador da Universidade Leiga do Trabalho, em Taperoá, sua cidade natal. Fundador do laboratório Lelis, fabricante de água oxigenada e xaropes.

Um extraordinário ser humano possuidor de invejável inteligência e de uma visão cósmica do universo e sem o menor apego às coisas materiais.

Um escravo da busca do conhecimento.

Autor de palestras para grupos seletos no exterior como ocorreu em Tóquio falando para biólogos e cientistas sobre o processo de fossilização das baleias.

Fez da museologia seu projeto de vida atividade que consumiu todo seu patrimônio material.

Tivemos uma convivência estreita quando o procurei para montar o museu da energia, na Cruz do Peixe (hoje Usina Cultural da Energisa), a pedido de João Agripino Maia de Vasconcelos então presidente da SAELPA concessionária de energia elétrica da Paraíba.

Hoje tive a felicidade de reencontrá-lo na Cinep – Companhia de Industrialização da Paraíba. Conversamos sobre seus projetos e não me surpreendi. Continua com a mesma garra e os mesmos sonhos.

Maurício Montenegro
Engenheiro civil com experiência na gestão de obras públicas e privadas, com familiaridade em planejamento estratégico. Ex-interventor do município de São Miguel de Taipu, ex-secretário de Obras da Prefeitura Municipal de João Pessoa, ex-diretor técnico da Companhia Estadual de Habitação (Cehap), coordenador da elaboração do Plano Diretor do Distrito Industrial de Caaporã, Coordenador da Carta Consulta para obtenção de crédito junto à Coordenação Andina de Fomento (CAF) para obtenção de empréstimo no valor de 100 milhões de dólares destinados à pavimentação e recuperação de rodovias do Estado da Paraíba.

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